|
|
Diário de Bordo Partindo de Belo Horizonte em direção ao Rio de Janeiro, teve inicio a longa viagem aos três países que escondem segredos naturais de deixar qualquer viajante sem fôlego. Uma corrida contra o tempo que durou trinta dias passando pela Bolívia, Chile, Peru e retornando ao Brasil.
|
||||
|
Saindo de Belo Horizonte no dia 23/01/2006 parti para o Rio de Janeiro, minha terra natal, escalando um pouco e curtindo as festas de fim de ano com a família e amigos, tentei não ir muito longe, me detendo as escaladas no centro da cidade maravilhosa, Urca e Grajaú. Dia 01/01/2007 equipamento pronto, mochila arrumada toquei para São Paulo onde encontraria Graziela. Chegando a Guarulhos uma longa espera para o vôo até Campo Grande onde faríamos uma conexão até Santa Cruz de la Sierra. Dia 02/01/2007 Lá estávamos na Bolívia, passagem pelo aeroporto de Viro Viro, paramos na cidade para dormir um pouco e no dia seguinte tentar chegar a La Paz. A cidade foi fundada em 26 de fevereiro de 1560 por Nuño de Chávez, que nomeou o novo povoado em homenagem à sua amada localidade natal a região da Extremadura, Espanha. O estabelecimento original era na realidade a 220km a Leste de sua localização atual, apenas a poucos quilômetros ao sul da atual San José de Chiquitos. Após conflitos com nativos, a cidade foi mudada para a sua posição atual nas margens do rio Piraí em 1592. Ainda há resquícios da vila original e podem ser visitados no sítio arqueológico Santa Cruz la Vieja, Sul de San José de Chiquitos. Santa Cruz é ligada por uma ferrovia à Argentina e ao Brasil (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), e ligada por uma estrada construída na década de 1950, a Trindad, Cochabamba e também por recentes rodovias pavimentadas para Camiri (Argentina) e outra para Cochabamba. Tem início em Santa Cruz o Gasoduto Brasil-Bolívia, com 3.150 quilômetros de extensão, sendo 2.593 em território brasileiro e 557 em território boliviano, exportando para o Brasil gás natural, sendo que as reservas de gás da Bolívia são hoje estimadas em 890 bilhões de metros cúbicos. A construção desse gasoduto só foi possível após a Argentina, anterior importadora exclusiva do gás boliviano, atingir sua auto-suficiência em gás natural, o que começou a ocorrer no final da década de 1970. A construção do gasoduto começou em 1997 e suas operações iniciaram em 1999. A demanda de gás natural no Brasil atingia 29 milhões de barris por dia em 2006, sendo que as reservas de gás natural brasileiras no mesmo ano atingem 639 bilhões de metros cúbicos. A cidade é conhecida em todo o país pela excelente tradição gastronomica, isto se deve à diversidade cultural da população. Entre os pratos mais famosos, estão, nas comidas, Picante de Pollo, Majao ou Majadito, Locro e Sopa de maní; e nas bebidas, Mocochinchi, Somó e Chicha. Também os muito conhecidos: Cuñapé, Zonzo, Empanada de arroz, queso, jigote e carne, Bizcocho de trigo, Masaco de plátano e de yuca, Arepa, Salteña e Queque. Dia 03/01/2007 A cidade decepciona a primeira vista. Um aglomerado de prédios e casas amontoadas uma sobre as outras, pessoas nas ruas se espremendo por espaço. Mais para alguns este cenário rústico e pobre é excêntrico e único. A única coisa que tinha em mente era sair logo daquela cidade e chegar até as montanhas da cordilheira real. Para nossa surpresa ao desembarcar em La Paz, nossas mochilas foram extraviadas. Depois de muita conversa com a polícia local e com a agência de viagem onde compramos os bilhetes, as mochilas apareceram em outro ônibus uma hora mais tarde. Deu para perceber que isso acontece bastante na Bolívia, informação dada pelo policial da rodoviária. Encontramos com um casal de brasileiros que também estavam sofrendo no mesmo ônibus por dezoito horas como nos. Angélica e Isaac estavam indo para Macchu-picchu e passariam a noite em La Paz para conhecer Tiahuanaco. Andamos pela cidade em busca de um albergue e acabamos encontrando um lugar bem fora do normal. Na Rua das Bruxas topamos com um albergue bem legal, meio cheirando a pó e cigarro mais deu para cair por lá. Mochilas no abrigo e tocamos para Tiahuanaco. Duas horas de ônibus e estávamos nas ruínas (A Rua das Bruxas é doido, uma rua inteira dedicada à Bruxaria, Santeria e afins). Seus exímios arquitetos viveram entre os anos 1580 a.C. e 1200. De acordo com arqueólogos bolivianos, o que hoje é visto no sítio arqueológico de Tiahuanaco não representa nem 5% do que era essa cidade no passado. São capítulos desconhecidos da história, mas que ainda podem ser testemunhados ao caminhar, sem pressa, pelas margens do Lago Titicaca. Algumas fotos do local, artesanato para os amigos e familiares e tocamos de volta para La Paz. Em La Paz, um pouco de dor de cabeça por causa da altitude, bom não por causa da altitude, mais por causa das cervejas que tomei assim que cheguei na cidade, mesmo avisado sobre o efeito do álcool sobre o corpo humano em atitude, como estava na boa nem liguei. Aprendi de uma forma nada legal. La Paz está situada, em um canyon, na base de um arco cercada pelas Cordilheira dos Andes, com neve cobrindo os picos e vulcões, o que deixa o cenário mistico e único no mundo. É o centro administrativo da Bolívia, assim como é também o estado mais populoso. Nos últimos 20 anos sua população dobrou e atualmente está estimado que há aproximadamente 1,3 milhões de pessoas. É a mais alta capital do mundo (localizada a 3.580 metros/ 11.740 feet acima do nível do mar), onde as pessoas parecem nunca parar de vender comida e andar pelas estreitas ruas da cidade. La Paz possui uma boa infra-estrutura turística com muito restaurantes, hotéis e agencias de viagem oferecendo diversas atrações perto da cidade. Algumas das mais famosas viagens é a da íngreme estrada para a pequena cidade de “Coroico” nas Yungas; o forte azul do Lago Titicaca; a Cordilheira dos Andes e as ruínas de “Tahuanaco”. Dia 04/01/2007 Passamos em um café para comer algo e trocar algumas informações, e neste veio a informação que mais temia, chovia muito nas montanhas, ou melhor em boa parte da Bolívia, logo abortaria a subida até o Huayna Potosi por enquanto. O negocio então era conhecer a Bolívia. Passagem comprada para Copacabana, cidade as margens do Lago Titicaca. Uma parada em Tiquina para trocarmos de condução, era hora de atravessar o Titicaca de balsa, nosso primeiro contato com o lago mais alto do mundo. Três horas de viagem e logo estávamos na cidade. Chegando a Copacabana procuramos um hotel para ficar, para nosso azar, era ultima semana de férias escolares na Bolívia e a cidade estava em festa, todos os hotéis e albergues lotados, depois de muita procura conseguimos um quarto no Hotel Praia Azul. Dormimos bem à noite e pela manha fomos até a Ilha do Sol. Dia 05/01/2007
Chegando da Ilha do Sol, rolou um treininho nos elevados da cidade, uma corrida de aclimatação pela cidade. Ideal para melhorar o condicionamento em altitude e para passar o tempo já que estávamos longe das montanhas.
Dia 07/01/2007 As 01:00PM mochilas organizadas passagem na mão e tocamos de volta para La Paz e de lá uma conexão para o Uyuni. Viajamos durante toda noite e parte do dia ate chegar à cidade. O ônibus atravessa por dentro de rios e planícies áridas no meio do nada, hora a estrada parece desaparecer de vista e reaparece logo depois de um riacho. Dia 08/01/2007 Mal entendido desfeito, culpa no atraso dos ônibus devido ao mal tempo e logo estávamos em grupo formado por dois suíços, duas canadenses e um brasileiros, logo três brasileiros. Grupo arrumado, mochilas na agencia e tocamos para o Salar. Renato era o Brasileiro de Niterói que estava perdido por lá e mais tarde iria seguir viagem até Cusco. O Salar de Uyuni é a maior planície salgada do mundo, está localizado no Departamento de Potosí, no sudoeste da Bolívia, no altiplano andino, a 3.650m de altitude. Estima-se que o Salar de Uyuni contenha 10 bilhões de toneladas de sal, das quais menos de 25.000 são extraídas anualmente. Além da extração de sal, o salar também é um importante destino turístico. Seus principais pontos de visitação são o hotel de sal, desativado, e a Ilha do Pescado, com suas formações de recife e os cactos de até 10 metros de altura. No início de novembro, quando começa o verão, é lar de três espécies sul-americanas de flamingos: o chileno, o andino e o flamingo de James. Os flamingos aparecem no verão pois é quando se inicia o período de chuvas e também quando acontece o descongelamento das geleiras nos Andes que deixa o salar coberto de água, tornando-o um imenso lago com profundidade média de 30cm. Nesse período, ele parece um enorme espelho que se confunde no horizonte com o céu. Assim os passeios ficam restritos a algumas áreas. Entretanto, entre abril e novembro todo o salar fica acessível, pois torna-se um imenso deserto seco com uma paisagem ainda mais exótica. Depois de uma volta pelo salar, tocamos de volta para a loja da agencia de viagem onde nosso almoço nos esperava. Contávamos com algo do tipo comida típica, mais bem, nem tanto. O almoço foi servido lá mesmo na agencia. Um bom bife de Alpaca com salada e quinoa, servido no tradicional PF (Prato feito), sentados espalhados pela loja. Nosso cozinheiro seria nosso motorista e nosso guia por três longos dias.
Renato Sippli é de Niterói, Rio de Janeiro, cidade essa onde fica o clube de escalada que participo, bom pelo menos tento, já que hoje moro em Belo Horizonte - Minas Gerais, o Clube Niteroiense de Montanhismo - CNM, e ainda tricolor, time de coração, logo um novo amigo cheio de qualidades. Caminhamos por uma hora até um alagado e já de cara nos deparamos com flamingos, gansos selvagens, algumas Vicunhas e inúmeros grupos de lhamas que se misturava com os carneiros. Depois de um longo dia, rango com os novos amigos, troca de informação, cartiado e uma longa noite de sono. Dia 09/01/2007 As lagunas nem me importavam mais, só pensava em rocha e nas montanhas que via ao fundo. Durante todo o dia passamos e paramos para fotografar as lagunas e visitar formações rochosas, (Laguna verde, Laguna Hedionda, Laguna Onda e outras menores) todas repletas de flamingos. Depois de uma longa caminhada por paisagens magníficas e alguns blocos gelados voltamos ao abrigo, que para nossa supresa recebia mais seis jipes com pessoas de diferentes paises. As 08:00PM rango perfeito, macarronada, grupo reunido, todo mundo rindo e feliz. Logo chegam os argentinos e depois os bolivianos, poucos minutos depois os mexicanos, os Peruanos, Italianos, Belgas, alemães e sei lá mais quem, o abrigo virou um congresso da ONU. Este congresso esgotou todo o álcool potável do vilarejo e terminou as 04:00HS do dia 10/01/2007. |
|||||













