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12/05/2010 A primeira dama do Himalaia Maximo Kausch |
Não há montanhista que
escale no Nepal que não
conheça esta pessoa. Ela
é quem decide se você
fez ou não fez cume ou
mesmo se foi à montanha.
Mesmo jamais tendo
escalado uma montanha em
sua vida ela é quem
cataloga e procura por
contradições em todas as
expedições no Nepal e
algumas do Tibet.
Elizabeth Hawley nasceu
nos EUA em 1923 e se
formou como
historiadora, mas
trabalhou como
jornalista por muitos
anos. Há quem diga que
ela já foi agente da CIA
e atuou na Guerra Fria
tentando achar
informações sobre
espiões comunistas na
região do Himalaia.
Sabe-se que ela é
correspondente para a
Reuters, ela ainda
escreve artigos e manda
informações para
revistas e jornais de 10
países: American Alpine
Journal, a Desnivel, a
revista Climber, a
revista Alp, Time, entre
outras.
Miss Hawley, como é
conhecida pelos
himalaistas, faz seus
arquivos entrevistando
cada expedição antes e
depois. Começou a
arquivar informações em
1963 com a primeira
escalada norte-americana
ao Everest. Hoje ela
cobre mais de 300 picos
no lado nepalês do
Himalaia, além dos dois
lados do Everest, Cho
Oyu, Kangchenjunga e
outras.
Depois de 47 anos
arquivando todas essas
informações ela compôs
um único, porém completo
banco de dados da
história da escalada no
Himalaia e já chegou a
negar que várias pessoas
tenham feito cume
através de suas
investigações. Muitas
expedições baseam a
estratégia de sua
escalada nos dados de
Miss Hawley. Hoje o
Himalayan Database conta
com registros às
montanhas desde 1905!
Geralmente ela telefona
ou aparece pessoalmente
algumas horas após a
chegada das expedições
em Kathmandu. Não
importa em que buraco em
Kathmandu a expedição
está. Um fusca azul
parado na porta de seu
hotel é geralmente o
sinal. Ela sempre
pergunta sobre os
planos, a rota e
funcionários da
expedição. Ela tem uma
lista com nome, data de
nascimento, cidade e
para que expedições cada
sherpa e tibetano já
trabalhou. Muita gente
sempre quis colocar mãos
nestes arquivos, mas ela
alega que isso é só de
interesse dela.
A pequena senhora chega
a intimidar quando
começa com sua série de
perguntas como: 'O que
tinha no cume?' ou 'Quem
você encontrou no
caminho?'. Pelo fato
dela ser a única pessoa
capaz de encontrar
possíveis mentirosos,
todos a tratam como
entidade consular e
respondem com exatidão a
tudo o que ela pergunta
mesmo seu banco de dados
sendo não oficial ou
obrigatório. Portanto
qualquer pessoa que
queira ser reconhecida
por ter escalado um pico
no Himalaia vai ter que
se voluntariar ao
interrogatório.
Na última vez que
participei de seu
interrogatório, lembro
que ela me perguntou
quem estava no
acampamento e a que
horas eu saí para o
cume. Me esforcei e
lembrei de uma pessoa de
jaqueta azul que também
tinha acordado naquela
madrugada. Minutos
depois ela me perguntou
a que horas eu tinha
encontrado com Andrea.
Sem entender nada
perguntei: 'Andrea?', ao
que ela continuou 'Sim,
a pessoa de jaqueta
azul'. Acontece que ela
sabia de algum jeito o
nome do tal alpinista
italiano, pois já tinha
entrevistado ele. Quando
perguntei como ela
sabia, ela me olhou de
lado com um sorriso
discreto e continuou com
as perguntas. Mesmo com
86 anos de idade, ela
tem uma memória
incrível.
Em sua próxima escalada
no Nepal, lembre-se: NÃO
MINTA!
Texto: Maximo Kausch
Força sempre!
Atila Barros














