|
28/09/2008 |
"A invasão imobiliária e os portos de areia, que destruíram a vegetação, a tornaram o único inseto na lista de animais ameaçados de extinção no Brasil."
As borboletas e
as mariposas são encontradas em todos os
continentes, exceto na Antártida. Os cientistas
acreditam que haja aproximadamente entre 12 e 15 mil
espécies de borboletas e de 150 a 250 mil espécies
de mariposas no mundo. No Brasil, mais de 3.500
espécies de borboletas já foram descritas. No
cerrado, existem aproximadamente mil espécies de
borboletas e de 5 a 8 mil espécies de mariposas.
Milhares de espécies ainda estão por ser descobertas
e descritas pelos cientistas.
As borboletas são chamadas de "flores aladas" pois
possuem uma infinidade de formas e cores que
permeiam jardins, bosques e florestas há milhões e
milhões de anos.
Para algumas crenças, as borboletas, por sua
metamorfose inexplicável, simboliza a mudança, a
alegria, a pureza, a esperança, dentre outras
características. Já no meio científico, as
borboletas são insetos pertencentes a uma grande
Ordem chamada Lepidoptera, a qual também estão
incluídas as mariposas.
|
O ciclo de vida das borboletas e mariposas pode ser curto ou longo, dependendo de sua espécie. O grupo de mariposas do gênero Rotschildia possui cerca de uma semana de vida quando adulta, pois seu aparelho bucal é atrofiado e ela não pode se alimentar durante esta fase de sua vida. |
A metamorfose
nos lepidópteros ocorre da seguinte forma: o adulto
põe os ovos, de onde saem as larvas (que chamamos de
lagartas), que por sua vez formam as pupas (também
conhecidas como casulos ou crisálidas) e finalmente
se transformam em adultos.
Dentro do ovo, cada espécie tem seu tempo para
eclodir (que varia entre 5 e 10 dias). seu primeiro
alimento após a eclosão é a casca de seu próprio
ovo, que é rico em proteínas. É importante salientar
que o adulto coloca seus ovos na planta que servirá
de alimento para sua prole em toda a sua fase
larval.
A lagarta, por sua vez, precisa alimentar-se
vorazmente para armazenar nutrientes para sua
próxima fase, pois o gasto de energia será muito
grande. Dependendo da espécie, a fase larval também
pode variar, tendo uma média de 25 dias.
Conforme passam-se os dias, as lagartas crescem
muito a ponto de adquirir um tamanho que pode chegar
a aproximadamente 100 vezes o seu comprimento
inicial. Quando ela atinge tamanho e peso ideais
para estocagem de nutrientes, seu corpo está
preparado para a fase de pupa.
|
Para transformar-se em pupa, a lagarta procura um substrato propício para que isso ocorra (esse substrato não precisa ser necessariamente a sua planta-alimento). Ao encontrá-lo, a lagarta libera sua saliva, que em contato com o oxigênio do ar se solidifica, formando fios de seda (parecidos com os usados para fabricação de roupas, que são feitos pela mariposa da espécie Bombyx mori). |
Esses fios são
produzidos a fim de fixar a lagarta de ponta-cabeça
no substrato. Após este procedimento que leva
algumas horas, a lagarta continua mais uma etapa de
sua metamorfose. Em poucos dias ela adquire uma
casca dura com alguns orifícios chamados espiráculos
que permitem que o inseto respire.
Na fase de pupa, o animal não se alimenta e não se
desprende do substrato e fica praticamente imóvel
durante um período, que também varia de acordo com a
espécie. Há espécies de mariposa que podem demorar
aproximadamente um ano para se transformarem em
adultos.
Após um longo período de espera, a pupa finalmente
começa a se abrir, e surge de seu interior o adulto
com o corpo todo formado, as asas murchas e tortas.
O animal sai lentamente da casca da pupa e se
posiciona de cabeça para baixo e fica algum tempo
abrindo e fechando as asas, para que um líquido seja
bombeado em suas veias e possa assim "inflar" suas
asas. Neste período é importante que não haja
nenhuma interferência no processo de "esticamento"
das asas, pois poderia comprometer seu vôo e isso
poderia acarretar sua morte. É por esse motivo que
não se deve em hipótese alguma tentar ajudá-lo a
completar seu árduo processo de metamorfose.
|
Depois de
esticar suas asas por completo, finalmente o
inseto executa seu primeiro vôo. Sua única
função agora é encontrar um parceiro e
reproduzir-se. Vale lembrar que apenas na
fase adulta os lepidópteros possuem sexos
distintos. As fases de larva e pupa não
possuem essa distinção. |
As borboletas e
mariposas adultas podem alimentar-se de néctar,
pólen, frutos em decomposição e fluidos corporais de
animais também em decomposição (pouquíssimas
espécies de mariposa têm este tipo de alimentação).
Os tipos mais freqüentes de alimentação nesses
animais são néctar e frutos podres. Lembrando que
todos esses tipos variam neste caso de família para
família. Este alimento ingerido enquanto adulto será
convertido em energia para que elas possam encontrar
seus parceiros e realizar a cópula.
A cópula nos lepidópteros ocorre de modo bastante
curioso: os machos fazem a corte para uma única
fêmea, batendo suas asas em seu redor para exalar
seus feromônios, que são hormônios sexuais que
atraem animais de mesma espécie. Com seres humanos
também ocorre o mesmo, e é por isso que hoje em dia
há até perfumes com hormônios para despertar o
interesse de pessoas do sexo oposto. Bom, mas esta
já é outra história! rs
Ao fazer a corte, apenas um macho é escolhido pela
fêmea (ela escolhe o mais apto através da própria
compatibilidade dos feromônios, a idade do animal
que é percebida pelas cores de suas asas, etc;
enfim, pela conhecida seleção natural). Após
escolhê-lo, a fêmea ergue seu abdômen para receber o
macho e eles se unem em direções opostas (um fica de
"costas" para o outro, fixados pelo abdômen). Isso
pode durar horas, até que os espermatozóides sejam
liberados e fecundem os ovos pré-formados da fêmea
(pois a fêmea adulta já possui ovos não fecundados
em seu interior).
|
Após a
fecundação, o macho se afasta da fêmea e em
pouco tempo a fêmea realiza a postura de
ovos, que consiste em colocar os ovos
dispostos em fileiras, isolados ou em grupos
(dependendo da espécie) numa planta-alimento
que corresponde à sua espécie que é
cuidadosamente escolhida para sua futura
geração. |
Assim, com muita
paciência e muitas transformações árduas, as
borboletas e mariposas reiniciam o ciclo de vida,
dando origem aos seres que nos fascinam e nos servem
de inspiração por tamanha beleza e por serem agentes
imprescindíveis para as diversas cadeias
alimentares, pois fazem parte de um grupo de animais
polinizadores que contribuem para a dispersão de
plantas tão necessárias à manutenção da vida na
Terra.
Borboletas, mariposas e suas lagartas, necessitam de
plantas e ambientes específicos para sua
sobrevivência e por essa razão são especialmente
vulneráveis à degradação ambiental. Em todo o mundo,
há várias espécies sob risco de extinção. No Brasil,
segundo o IBAMA, Portaria nº 1522/1989 e nº
45-n/1992 a lista oficial de espécies da fauna
brasileira ameaçada de extinção, inclui 25
borboletas, das quais 4 são consideradas extintas.
Tatiane Marques
é Bióloga formada pelo Centro Universitário da
Cidade - Rio de Janeiro.
Professora de Biologia e Especialista em
Lepidopteras.
Fotos: Atila Barros
















