|
|
A conquista espanhola. |
Contexto incaico na época da
conquista
Quando Huayna Capac se tornou o imperador inca,
houve uma guerra de sucessão que algumas fontes
sustentam que durou cerca de doze anos. A causa
alegada da guerra é que Huayna fora muito cruel com
o povo.
Rumores se espalharam pelo Império Inca como fogo
sobre um estranho 'homem barbado' que 'vivia numa
casa no mar' e tinha 'raios e trovões em suas mãos'.
Este homem estranho começava a matar muitos dos
soldados incas com doenças que trouxera.
|
|
Quando Huayna Capac morreu, o império estava desgastado e ocorreu uma disputa entre seus dois filhos. Cuzco, que era a capital, havia sido dada para o suposto novo imperador Huascar, que foi considerado como pessoa horrível, violento e quase louco atribuindo-se a ele o assassinato da própria mãe e da sua irmã que forçara a desposá-lo. Atahualpa reivindicava ser o filho favorito de Huayna Capac, posto que a ele fora dado o território ao norte de Quito (cidade moderna do Equador) razão porque Huascar teria ficado muito bravo. |
A guerra civil de sucessão se travou entre os dois
irmãos, chamada Guerra dos Dois Irmãos, na qual
pereceram cerca de cem mil pessoas.
Depois de muita luta, Atahualpa derrotou Huascar e
então, conta-se, era Atahualpa que estava
enlouquecido e violento, tratando os perdedores de
forma horrível. Muitos foram apedrejados (nas
costas) de forma a ficarem incapacitados, nascituros
eram arrancados dos ventres das mães,
aproximadamente 1500 membros da família real,
incluindo os filhos de Huascar foram decapitados e
tiveram seus corpos pendurados em estacas para
exibição. Os plebeus foram torturados.
Atahualpa pagou um terrível preço para tornar-se
imperador. Seu império estava agora abalado e
debilitado. Foi neste momento crítico que o 'homem
barbado' e seus estranhos chegaram, cena final do
Império Inca.
Este estranho homem barbudo e estranho veio a ser
Francisco Pizarro e seus espanhóis da "Castilla de
Oro" que capturaram Atahualpa e seus nobres em 16 de
novembro, do ano de 1532.
A verdadeira conquista
Atahualpa estava em viagem quando Francisco Pizarro
e seus homens encontraram o seu acampamento. Pizarro
enviou um mensageiro a Atahualpa perguntando se
podiam se reunir. Atahualpa concordou e se dirigiu
ao local onde supostamente iriam conversar e quando
lá chegou, o local parecia deserto. Um homem de
Pizarro, Vicente de Valverde interpelou Atahualpa
para que ele e todos os incas se convertessem ao
cristianismo, e se ele recusasse, seria considerado
um inimigo da Igreja e de Espanha.
|
Como era esperado, Atahualpa discordou, o que foi considerado razão suficiente para que Francisco Pizarro atacasse os incas. O exército espanhol abriu fogo e matou os soldados da comitiva de Atahualpa e, embora pretendesse matar o Inca, aprisionou-o, pois tinha planos próprios. Uma vez feito prisioneiro, Atahualpa não foi maltratado pelos espanhóis, que permitiram que ele ficasse em contacto com seu séquito. O imperador inca, que queria libertar-se, fez um acordo com Pizarro. Concordou em encher um quarto com peças de ouro e outro um com peças de prata em troca da sua liberdade. Pizzaro não pretendia libertar Atahualpa mesmo depois de pago o resgate porque necessitava de sua influência naquele momento para manter a ordem e não provocar uma reação maior dos incas que acabavam de tomar conhecimento dos espanhóis. |
Além disto, Huáscar ainda estava vivo e Atahualpa,
percebendo que ele poderia representar um governo
fantoche mais conveniente para a dominação por
Pizarro, ordenou a execução de Huáscar. Com isto,
Pizarro sentiu a frustração de seus planos e acusou
Atahualpa de doze crimes, sendo os principais o
assassínio de Huáscar, prática de idolatria e
conspiração contra o Reino de Espanha, sendo julgado
culpado por todos os crimes condenado a morrer
queimado.
Já era noite alta quando Francisco Pizarro decidiu
executar Atahualpa. Depois de ser conduzido ao lugar
da execução, Atahualpa implorou pela sua vida.
Valverde, o padre que havia presidido o processo
propôs que, se Atahualpa se convertesse ao
cristianismo, reduziria a sentença condenatória.
Atahualpa concordou em ser batizado e, em vez de ser
queimado na fogueira, foi morto por estrangulamento
no dia 29 de agosto de 1533. Com a sua morte também
acabava a "existência independente de uma raça
nobre".
A morte de Atahualpa foi o começo do fim do
Império Inca.
A instabilidade ocorreu rapidamente. Francisco
Pizarro nomeou Toparca, um irmão de Atahualpa, como
regente fantoche até a sua inesperada morte. A
organização inca então se esfacelou. Remotas partes
do império se rebelaram e nalguns casos formavam
alianças com os espanhóis para combater os incas
resistentes. As terras e culturas foram
negligenciadas e os incas experimentaram uma
escassez de alimentos que jamais tinham conhecido.
Agora os incas já haviam aprendido com os espanhóis,
o valor do ouro e da prata e a utilidade que antes
desconheciam e passaram a pilhar, saquear e ocultar
tais símbolos de riqueza e poder. A proliferação de
doenças comuns da Europa para as quais os incas não
tinham defesa se disseminaram e fizeram o seu papel
no morticínio de centenas de milhares de pessoas.
O ouro e a prata tão ambicionados por Pizarro e os
seus homens estava em todo o lugar e nas mãos de
muitas pessoas, subvertendo a economia com a enorme
inflação. Um bom cavalo passou a custar $7000 até
que, por fim, os grãos e gêneros alimentícios
acabaram mais valiosos que o precioso ouro dos
espanhóis. A grande civilização inca, tal como
conhecida, já não existia.
Após a conquista espanhola
O Império Inca foi derrubado por menos de duzentos
homens e vinte e sete cavalos mas também por
milhares de ameríndios que se juntaram às tropas
espanholas por descontentamento em relação ao
tratamento dado pelo Império Inca. Francisco Pizarro
e os espanhóis que o seguiram oprimiram os incas
tanto material como culturalmente, não apenas
explorando-os pelo sistema de trabalho de "mitas"
para extração da prata Potosí, como reprimindo as
suas antigas tradições e conhecimentos. No que se
refere à agricultura, por exemplo, o abandono da
avançada técnica agrícola inca acabou instalando uma
persistente era de escassez de alimentos na região.
Uma parte da herança cultural foi mantida,
tratando-se das línguas quíchua e aimará, isto
porque a Igreja Católica escolheu estas línguas
nativas como veículo da evangelização dos incas, daí
passarem a escrevê-las com caracteres latinos e
ensiná-las como jamais ocorrera no Império Inca,
fixando-as como as línguas mais faladas entre as dos
ameríndios.
Mais tarde, a exploração opressiva foi objeto de uma
rebelião cujo líder Tupac Amaru considerado o último
inca, acabou inspirando o nome do movimento
revolucionário peruano do século XX, o MRTA, e o
movimento uruguaio dos Tupamaros. A história de
planeamento econômico dos incas e boas doses de
maoísmo são também a inspiração revolucionária do
atual movimento Sendero Luminoso no Peru.

























