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10/02/2010
Bem vindo a El
Chaltén!
Part2. El Chalten, Argentina.
Atila Barros |
Escalando!
Foi para esta “Meca” da escalada mundial que
partimos de Bariloche junto com os amigos de São
Paulo, Eduardo Zoroastro e Thiago Porto para
conhecer e aprender com Chalten e suas montanhas.
Depois de passar um tempo em El Frey, Cerro
Catedral, fizemos muitas amizades, e uma desta fez
com que os paulistas Thiago e Zoro mudassem seus
planos de ir para Cochamo e nos acompanhassem para
Chalten.
Algumas trinta e duas
horas de ônibus, chegamos a Calafate, um dia na
cidade para preparar a logistica e logo pela manha
do dia seguinte partimos para Chalten. Dando conta
que a apresentação da cidade já foi feita em outra
pagina, seguimos para o lado esportivo de Chalten.
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O centro da
cidade é cercado por paredes rochosas que
fazem da vida dos escaladores que se
aventuram pela região um desafio a cada dia.
Mesmo que uma janela de tempo bom não venha
para ascender os grandes cerros, a escalada
em rocha é garantida mesmo nos dias de tempo
ruim.
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Além das paredes da
cidade, dentro do Parque Nacional, logo no inicio
das trilhas de acesso aos pontos de visitação, a
inúmeros blocos para escalada em Boulder e vias
esportivas curtas, estes blocos já são famosos em
todo mundo por seu grau de dificuldade e qualidade.
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A maioria das
escaladas na cidade são esportivas e muito
bem protegidas, variam de campo escola a
vias exigentes com negativos. Tivemos a
chance de conferir algumas destas vias
durante os dias em que o tempo colaborava e
não mandava chuva, só vento. |
Para escalar na
cidade é imprescindível ter o guia de escalada de
Chalten, confeccionada pelo escalador Cesar Acuña,
neste estão catalogados mais de 140 vias esportivas
e seus setores. Lembrando que ainda existem outros
setores e vias que não estão no guia e são super
interessantes (O guia também contempla algumas áreas
de Boulder.).
 |
Tivemos a
oportunidade de escalar nestes dois novos
setores, entre os files da cidade estão a
Platéia e Calamar, estes se localizam a 7 km
da cidade seguindo em direção ao Logo del
Desierto. Áreas com esportivas que variam do
5º ao 8º grau. O setor do Calamar é bem
protegido pela floresta e por suas paredes
negativas, por isso mesmo com chuva pode-se
escalar por lá. Opção para dias que parecem
não render nada. |
No dia em que fomos
escalar no setor Calamar chovia muito e para nossa
sorte, voltamos de carona com Rolo Garibotti, lenda
da escalada Argentina (Criador do Guia de Escalada
de El Frey e Cerro Catedral).
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Nos dias em que
o tempo abria um pouco, optávamos por
caminhadas pelas trilhas no Parque Nacional,
toda geografia e fauna de Chalten tornam o
Parque Nacional de Los Glaciares um lugar
único no planeta. Florestas de lengas e
animais selvagens fazem pano de fundo pelos
caminhos que levam até observatórios, lagos,
acampamentos (Gratuitos) e glaciares.
Caminhadas
longas que podem durar dias por florestas e
gelo continental, visitas a glaciares que
podem ser escalados (Esportiva), subidas a
colinas que de seu cume deixam ver todo o
complexo Cerro Torre e Fitz Roy, Lagos que
saltam por traz de grandes montanhas onde
glaciares deságuam seu degelo, campos
infindáveis que parecem sair de um livro de
história onde se pode imaginar tribos
inteiras convivendo pacificamente com a
natureza (Só imaginar!) e animais que
perecem não ter medo do ser humano, tudo
isso sendo alcançado por seus pés e
registrado por sua maquina fotográfica. Este
é um pobre resumo perto da beleza da região,
logo explica o porquê de Chalten ter sido
eleita à capital Argentina do trekking. |
Infelizmente a
temporada esteve bem ruim para grandes escaladas nos
dias em que estivemos na cidade. Houve uma “ventana”
(janela) no início de dezembro, quando houve algumas
ascensões, desde então ninguém fez cume no Torre ou
no Fitz Roy. Encontramos muitos escaladores do Rio
de Janeiro (Bernardo Collares, Sergio Tartari, Julio
Campanela, Fred e outros) que chegaram a Chalten
mais ou menos depois de 15 de dezembro e esperavam
por uma janela, até nosso ultimo dia na cidade
(01/02/2010) nenhum cume tinha sido alcançado por
Brasileiro ou resto do mundo.
Logo que chegamos à cidade já recebíamos noticias de
muitos dias de tempo ruim e das tentativas
frustradas seguidas de tragédias durante a
temporada.
Logo que nos registramos no Parque Nacional fomos
notificados da morte do escalador japonês Hiroomi
Sakuma de 28 anos que morreu após sofrer uma queda
de aproximadamente 800 metros, quando escalava o
cerro Fitz Roy. O corpo do escalador foi encontrado
em um glaciar, próximo à parede, no sábado, dia 9 de
dezembro, por dois escaladores, que alertaram as
autoridades. Devido ao estado do corpo, foi
presumido ele deve ter sofrido a queda de uma altura
de aproximadamente 800 a 1000 metros. As informações
dão conta de que o escalador já havia estado na
região no começo de 2009, conseguindo culminar a
Agulha Sain Exupey. Sakuma chegou a Chalten há
aproximadamente 10 dias antes do corpo ser
encontrado. Na oportunidade, ele havia comentado em
tentar escalar o Fitz Roy em solitário pela
Supercanaleta, uma das vias mais clássicas da
montanha, que envolve escalada mista, em gelo e
rocha.
Também tivemos a noticia de outro acidente em 01 de
janeiro, o escalador italiano Fabio Giacomelli de 51
anos morreu ao rapelar do Cerro Torre sendo atingido
por uma avalanche. Seu companheiro Elio Orlandijá
que estava na parede e não percebeu a queda do
parceiro, logo que deu conta da perda, iniciou um
trabalho de busca solitário por três dias até
encontrar o corpo de Fabio em uma fenda. Elio e
Fabio estavam abrindo uma nova rota na parede do
Torre com o objetivo de homenagear Cesarino Fava,
amigo em comum que faleceu em 22 de abril 2008 aos
87anos, eles também pretendiam espalhar as cinzas do
amigo pela na montanha. Cesarino Foi companheiro de
Maestri em suas polêmicas investidas ao Cerro Torre.
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O fantasma de
uma temporada assolada por janelas curtas
que nunca se concretizavam já estavam se
tornando parte de nosso dia a dia. A rotina
de acordar, acessar a internet e conferir o
tempo já fazia parte do planejamento para um
dia de escalada ou caminhada. A cada
previsão que tínhamos nosso projeto de
tentar a Agulhas De la S e Guillaumet
ficavam mais distantes. |
Escaladores
mundialmente conceituados também esperavam uma
janela para os cumes, figuras como David Lama e os
irmãos Huber também estavam na cola do bom tempo
junto à outra penca de escaladores de todo mundo na
esperança do tempo melhorar.
Essa mesma mistura de escaladores se amontoava a
noite em busca de cerveja gelada nos poucos pubs da
cidade. Lugares como “La Cervejaria”, ponto de
encontro de escaladores e “Rincon del Sur”, dos
super atenciosos Sebastian e sua esposa Marcela,
lugar de encontro dos escaladores brasileiros para
um bom vinho e troca de informações. Um bom bife com
fritas, uma cerveja bem gelada e um bom vinho,
também fazem parte do cotidiano de quem escala por
Chalten (O melhor bife com fritas da cidade esta no
restaurante “Como Vaca”, indicamos!).
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Para reunir o
pessoal depois de um dia de escalada, não
poderia faltar o bom cordeiro assado, este
feito na churrasqueira do Camping “El
Relincho”, lugar onde estávamos acampados.
Uma passada no mercado, algumas garrafas de
vinho, e Thiago Porto preparou o melhor
cordeiro na brasa que já comi, ou melhor, os
três melhores, já que fizemos um por semana
(rs). |
Bom, a janela não
veio e nosso tempo em Chalten chegou ao fim. Nossa
estadia nesta cidade vai deixar saudade, não só das
escaladas que fizemos e dos projetos que vão ficar
para uma próxima temporada, vão ficar as lembranças
das amizades que fizemos, dos dias longos onde a luz
do sol só desaparecia as 23:00h, a cerveja com os
amigos nos bares, a boa comida e a sensação de não
ter compromisso com nada, só com a escalada.
No avião voltando para o Brasil, à única coisa em
que pensava além de rever minha família, era como
seria minha temporada de verão em 2011 retornando a
Chalten.
Obrigado Bruno Castelo Branco por programar esta
Trip, Obrigado, Eduardo Zoroastro e Thiago Porto por
nos aturarem nesta Trip, e obrigado a Wagner Triano,
Ricardo Cesar, Franklin Alcantara por tolerarem
minha ausência na empresa durante esta Trip.
Agora é se preparar para a temporada de inverno 2010
nos Andes.
Força sempre e boas escaladas.
Atila Barros
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