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03/03/2009
Argentina - Cerro Champaquí - 2.770MT
Atila Barros

Ver fotos em: Cerro Champaquí


Depois de alguns dias de descanso em Córdoba, chegou a hora de conhecer o Cerro Champaquí.

Animados com as dicas dadas por Márcio Carvalho em sua coluna no site Altamontanha.com, arrumamos as malas e partimos para Vila General Belgrano. Mesmo com as informações do site, não tínhamos idéia do que nos esperava. Logo que chegamos à rodoviária da cidade de origem européia tivemos nossa primeira decepção, não havia transporte coletivo para Vila Alpina e os taxistas locais estavam cobrando valores absurdos para nos levar.

Vila General Belgrano recebeu este nome em 1943 em homenagem ao criador da bandeira nacional Argentina. Antes chamava-se El Sauce. Localizada do coração do Vale de Calamuchita na província de Córdoba, apresenta o típico aspecto de vila alpina, herdada dos imigrantes de origem alemã, austríaco e suíço que compraram estas terras. A chegada dos marinheiros alemães do Graf Spee, ocorreu na década de 30.

Após a batalha naval do rio da Prata durante a Segunda Guerra Mundial, os tripulantes decidiram ficar nas terras novas fugindo da guerra, dando à cidade características únicas. Vila General Belgrano oferece uma excelente infra-estrutura turística, onde se destacam as hospedagens e o setor gastronômico (cerveja, restaurantes e a comida tradicional alemã) e a festa nacional da cerveja no mês de outubro, realizada desde 1964.

Com o tempo parecendo não ajudar muito, tivemos de pensar rápido e negociando com os motoristas locais, conseguimos por $360,00 um carro a nossa disposição durante todo o dia.

Para chegar ao Champaqui, pode-se tomar um caminho muito mais fácil que o tradicional. Pode-se subir de carro partindo de Vila Gral. Belgrano por uma estrada de terra de quase 50 km até o Cerro Los Linderos, e depois fazer uma caminhada de 50 minutos. Ou pode-se caminhar pela trilha tradicional do Champaqui que se faz normalmente em dois dias (alguns em três dias) sendo um dia para ir de Villa Alpina até a zona de refúgios, e um dia para atacar o cume e voltar para o ponto de partida.

Como a opção de Vila Alpina estava fora de cogitação devido à alegação de péssimas estradas devido as chuvas, fizemos o caminho normal até o cume, mas com a condição do motorista ficar nos aguardando, não importasse a hora de retorno. Nessas condições conseguimos aproveitar mais o cume da montanha e suas vizinhanças. A visão do cume é recompensadora, observamos toda província e ao fundo Los Gigantes em Carlos Paz. Exploramos os blocos vizinhos, tiramos algumas fotos e comemoramos mais uma meta alcançada. No cair da noite retornamos ao carro com a temperatura beirando 5ºC. Nosso motorista estava esperando tranqüilo dentro de seu taxi, talvez porque aquela corrida tenha valido por alguns dias de trabalho.

Chamamos de Região Central às províncias de Córdoba, Santa Fe e San Luis. Esta é a zona que define o espírito do ”gaúcho” argentino: grandes e extensas planícies de grande riqueza para a produção agrícola e de gado. É a tão conhecida ”pampa” que com seu horizonte sem limite, convida a ser percorrida livremente como o fazem ainda hoje estes ”homens a cavalo”.

Para o noroeste desta lhanura surgem as serras de Córdoba. Alcançam os 2.770 metros de altura no cerro Champaquí. Seus vales férteis, seus desertos e salinas outorgam ao conjunto uma especial atração. Dispersas seguindo o caminho para o norte, vão aparecendo as capelas e estâncias do século XVII e XVIII, construções muitas delas legadas pelos jesuítas.

As serras condobesas concentram ricos destinos turísticos: Villa Carlos Paz, Villa General Belgrano, La Cumbrecita, La Cumbre, Cosquín ou Capilla del Monte. Ali, a paisagem suave das serras, esconde alternativas e diferentes riquezas a cada volta do caminhos. Cada localidade cordobesa, apresenta ao visitante um matiz distinto, dado por seus fundadores imigrantes, seu tipo de produção ou cultivo, ou alguma festa tradicional convertida hoje em um enorme festival popular.

Já de volta a Córdoba, tínhamos tempo sobrando antes de voltar para Buenos Aires. Assim,  levantamos cedo do Hostel, colocamos na mochila só o necessário e partimos para Cosquín em busca da história indígena da região. Depois de algumas dicas furadas e nada de cultura indígena, resolvemos visitar o Lago São Roque.

Ludibriados por um taxista que nos cobrou $8,00 para nos levar até São Roque, este nos deixou muito longe de nosso destino, caminhamos um pouco e depois de uma hora chegamos a uma placa que indicava São Roque. Já que tínhamos tempo de sobra, porquê não dar a volta no lago. Em pouco mais de três horas de caminhada, estávamos em Carlos Paz. Uma caminhada longa e dura contornando todo o lago subindo e descendo colinas. Chegar a Carlos Paz foi um alivio, já que o calor deste dia passava os 32ºC. Chegando à cidade tomamos um ônibus para Córdoba.

Banho tomado, era hora de encarar mais onze horas de ônibus até Buenos Aires. Márcio ficaria na cidade para curtir um pouco do clima portenho e ver a Casa Rosada. Eu ainda teria uma longa jornada pela frente. Precisava chegar ao Brasil a tempo de resolver alguns problemas e ir à festa de aniversário de 90 anos do avô de Geni, o grande amigo Ademar Lobato (Se não apareço a baixinha me mata!). A festa seria na fazenda da família em Pompéu, cidade localizada a três horas da capital mineira Belo Horizonte. Logo teve inicio minha jornada, depois do ônibus vindo de Córdoba, uma avião até São Paulo, uma ponte área até o Rio de Janeiro, um vôo no primeiro horário para Belo Horizonte e um taxi até Pompeu. Dois dias na fazenda, uma passada em casa para arrumar as malas e aqui estou eu no Rio de Janeiro novamente.

Depois deste feriado prolongado pelos pampas argentinos, é hora de curtir um pouquinho do Rio de Janeiro, isso se o calor deixar. 

Força Sempre e boas escaladas!
Atila Barros

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