Depois de alguns dias de descanso em Córdoba, chegou
a hora de conhecer o Cerro Champaquí.
Animados com as dicas dadas por Márcio Carvalho em
sua coluna no site
Altamontanha.com,
arrumamos as malas e partimos para Vila General
Belgrano. Mesmo com as informações do site, não
tínhamos idéia do que nos esperava. Logo que
chegamos à rodoviária da cidade de origem européia
tivemos nossa primeira decepção, não havia
transporte coletivo para Vila Alpina e os taxistas
locais estavam cobrando valores absurdos para nos
levar.
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Vila General Belgrano recebeu este nome em
1943 em homenagem ao criador da bandeira
nacional Argentina. Antes chamava-se El
Sauce. Localizada do coração do Vale de
Calamuchita na província de Córdoba,
apresenta o típico aspecto de vila alpina,
herdada dos imigrantes de origem alemã,
austríaco e suíço que compraram estas
terras. A chegada dos marinheiros alemães do
Graf Spee, ocorreu na década de 30. |
Após a batalha naval do rio da Prata durante a
Segunda Guerra Mundial, os tripulantes decidiram
ficar nas terras novas fugindo da guerra, dando à
cidade características únicas. Vila General Belgrano
oferece uma excelente infra-estrutura turística,
onde se destacam as hospedagens e o setor
gastronômico (cerveja, restaurantes e a comida
tradicional alemã) e a festa nacional da cerveja no
mês de outubro, realizada desde 1964.
Com o tempo parecendo não ajudar muito, tivemos de
pensar rápido e negociando com os motoristas locais,
conseguimos por $360,00 um carro a nossa disposição
durante todo o dia.
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Para chegar ao
Champaqui, pode-se
tomar um caminho muito mais fácil que o
tradicional. Pode-se subir de carro partindo
de
Vila Gral. Belgrano
por uma estrada de
terra de quase 50 km até o Cerro Los
Linderos, e depois fazer uma caminhada de 50
minutos. Ou pode-se caminhar pela trilha
tradicional do Champaqui que se faz
normalmente em dois dias (alguns em três
dias) sendo um dia para ir de Villa Alpina
até a zona de refúgios, e um dia para atacar
o cume e voltar para o ponto de partida.
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Como a opção de Vila Alpina
estava fora de cogitação devido à alegação de
péssimas estradas devido as chuvas, fizemos o
caminho normal até o cume, mas com a condição do
motorista ficar nos aguardando, não importasse a
hora de retorno. Nessas condições conseguimos
aproveitar mais o cume da montanha e suas
vizinhanças. A visão do cume é recompensadora,
observamos toda província e ao fundo
Los Gigantes em
Carlos Paz. Exploramos os blocos vizinhos, tiramos
algumas fotos e comemoramos mais uma meta alcançada.
No cair da noite retornamos ao carro com a
temperatura beirando 5ºC. Nosso motorista estava
esperando tranqüilo dentro de seu taxi, talvez
porque aquela corrida tenha valido por alguns dias
de trabalho.
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Chamamos de Região Central às províncias de
Córdoba, Santa Fe e San Luis. Esta é a zona
que define o espírito do ”gaúcho” argentino:
grandes e extensas planícies de grande
riqueza para a produção agrícola e de gado.
É a tão conhecida ”pampa” que com seu
horizonte sem limite, convida a ser
percorrida livremente como o fazem ainda
hoje estes ”homens a cavalo”. |
Para o noroeste desta lhanura surgem as serras de
Córdoba. Alcançam os 2.770 metros de altura no cerro
Champaquí. Seus vales férteis, seus desertos e
salinas outorgam ao conjunto uma especial atração.
Dispersas seguindo o caminho para o norte, vão
aparecendo as capelas e estâncias do século XVII e XVIII, construções muitas delas legadas pelos
jesuítas.
As serras condobesas concentram ricos destinos
turísticos: Villa Carlos Paz, Villa General
Belgrano, La Cumbrecita, La Cumbre, Cosquín ou
Capilla del Monte. Ali, a paisagem suave das serras,
esconde alternativas e diferentes riquezas a cada
volta do caminhos. Cada localidade cordobesa,
apresenta ao visitante um matiz distinto, dado por
seus fundadores imigrantes, seu tipo de produção ou
cultivo, ou alguma festa tradicional convertida hoje
em um enorme festival popular.
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Já de volta a Córdoba, tínhamos tempo
sobrando antes de voltar para Buenos Aires.
Assim, levantamos cedo do Hostel, colocamos
na mochila só o necessário e partimos para
Cosquín em busca da história indígena da
região. Depois de algumas dicas furadas e
nada de cultura indígena, resolvemos visitar
o Lago São Roque. |
Ludibriados por um taxista que nos cobrou $8,00 para
nos levar até São Roque, este nos deixou muito longe
de nosso destino, caminhamos um pouco e depois de
uma hora chegamos a uma placa que indicava São
Roque. Já que tínhamos tempo de sobra, porquê não
dar a volta no lago. Em pouco mais de três horas de
caminhada, estávamos em Carlos Paz. Uma caminhada
longa e dura contornando todo o lago subindo e
descendo colinas. Chegar a Carlos Paz foi um alivio,
já que o calor deste dia passava os 32ºC. Chegando à
cidade tomamos um ônibus para Córdoba.
Banho tomado, era hora de encarar mais onze horas de
ônibus até Buenos Aires. Márcio ficaria na cidade
para curtir um pouco do clima portenho e ver a Casa
Rosada. Eu ainda teria uma longa jornada pela
frente. Precisava chegar ao Brasil a tempo de
resolver alguns problemas e ir à festa de
aniversário de 90 anos do avô de Geni, o grande
amigo Ademar Lobato (Se não apareço a baixinha me
mata!). A festa seria na fazenda da família em
Pompéu, cidade localizada a três horas da capital
mineira Belo Horizonte. Logo teve inicio minha
jornada, depois do ônibus vindo de Córdoba, uma
avião até São Paulo, uma ponte área até o Rio de
Janeiro, um vôo no primeiro horário para Belo
Horizonte e um taxi até Pompeu. Dois dias na
fazenda, uma passada em casa para arrumar as malas e
aqui estou eu no Rio de Janeiro novamente.
Depois deste feriado prolongado pelos pampas
argentinos, é hora de curtir um pouquinho do Rio de
Janeiro, isso se o calor deixar.
Força Sempre e boas escaladas!
Atila Barros