KATMANDU
(Reuters) - O Nepal comemorou na quinta-feira
os 50 anos da primeira escalada do Everest
com a decisão de nomear
sir Edmund Hillary,
que atingiu o ponto mais alto do planeta às
11h30 de 29 de maio de 1953 ao lado do sherpa
Tenzing Norgay, cidadão honorário
do país.
Hillary passou a quinta-feira na capital,
Katmandu, que fica em um vale. Aos 83 anos,
Hillary já não tem condições de suportar
a ausência de oxigênio das altitudes mais elevadas.
Peter, filho de Hillary, que também já escalou o Everest, comemorou o feito do pai no monastério budista de Tengboche, a 3.962 metros de altitude, onde as equipes de montanhistas costumam ser abençoadas antes de iniciar a ascensão rumo ao topo, 8.850 metros acima do nível do mar.
" Meu pai adoraria estar aqui em cima", disse Peter Hillary a uma emissora indiana de TV." Pouco antes de embarcarmos, ele lamentou que agora não possa chegar na altitude. Ele sente falta de estar nessas regiões maravilhosas. E sejamos francos: no dia 29 de maio temos esse dia incrível, todos esses amigos ao redor -- que maneira de comemorar o cinquentenário da primeira escalada no monte Everest!"
Autoridades nepalesas disseram que duas expedições norte-americanas vão tentar atingir o cume do Everest na quinta-feira. Mas um desses grupos informou, por meio da página www.everestnews.com, que o forte vento pode adiar a tentativa. A temporada de escaladas acaba no sábado.
As celebrações em Katmandu foram relativamente discretas, após uma semana de desfiles nas ruas. O primeiro-ministro Lokendra Bahadur Chand entregou a Hillaru um certificado fazendo dele cidadão honorário, à noite haverá um jantar de gala com o rei Gyanendra. Cerca de 450 montanhistas, a maioria da etnia sherpa (que servem de guias e carregadores nas expedições), participam da festa que, pelos planos do governo, deve atrair os turistas de volta ao país, o movimento vem diminuindo por causa da sangrenta revolta maoísta no Nepal. Até hoje, mais de 1.200 pessoas já escalaram o Everest. Atualmente, a maioria desses aventureiros paga até 65 mil dólares para que os sherpas preparem o caminho da escalada.
Os
montanhistas contemporâneos
também têm, sobre Hillary, a vantagem do equipamento: os galões
de oxigênio e as roupas são muito mais leves e eficientes que
há 50 anos.
Hillary e outros pioneiros são abertamente críticos ao comercialismo
que tomou conta da escalada. "Tem até uma tenda de bebidas no
acampamento-base", disse Hillary à Reuters nesta semana. "Se
eu tivesse 33 anos outra vez, jovem, forte e vigoroso como eu era naquela época,
eu simplesmente não teria vontade de entrar na fila para chegar à montanha."
Mas, embora seja mais fácil que no tempo de Hillary, escalar o Everest ainda é um enorme desafio. No último meio século, 175 pessoas já morreram tentando chegar ao topo do mundo, nove delas no mesmo dia, em 1996. Vários cadáveres continuam congelados na rota de ascensão. Na quarta-feira, duas pessoas morreram em um acidente de helicóptero, perto do acampamento-base.
Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros














