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Falhas de
grampos em falésias a beira-mar.
Helmut Microys
Quando a Comissão de Segurança da UIAA, na
segunda metade dos anos 80, trabalhou nos
detalhes do Padrão para grampos, UIAA 123,
ela estava ciente do ambiente corrosivo das
falésias a beira-mar. O Padrão, por
conseguinte, especificou ligas metálicas
adequadas que, presumivelmente, cobririam
todos os terrenos. |
Nos últimos anos, falhas de grampos em várias áreas
próximas à água do mar em torno do mundo foram
relatadas numa taxa alarmante. Não foram recebidos
relatos de Grã-Bretanha, muito provavelmente devido
ao seu desdém por grampos. Áreas no Mar Mediterrâneo
e em seu entorno, tão longe quanto 20km terra
adentro, experimentaram problemas de corrosão por
muitos anos - freqüentemente meses após a sua
colocação. Entretanto, mais para o interior, os
efeitos da poluição e da chuva ácida podem ser os
fatores preponderantes.
Áreas de escalada desenvolvidas mais recentemente,
na Tailândia e em Cayman Brac, parecem
particularmente afetadas.
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Chapeletas de
aço inoxidável compostas de duas ou mais
peças (parafuso mais olhal) falharam
repetidamente nestas duas locações exóticas.
As falhas normalmente ocorrem nos primeiros
três anos de instalação, mas já aconteceram
tão cedo quanto em nove meses. Os parafusos
tipicamente quebram sob o olhal, em um ponto
alinhado com a superfície da rocha, e os
olhais quebram onde o mosquetão se aloja.
Sabe-se que alguns olhais quebraram como
vidro com uma pequena pancada da marreta.
Escaladores e metalurgistas americanos,
investigando a Tailândia e Cayman Brac,
determinaram que o mecanismo de falha não é
apenas a simples oxidação ou corrosão
galvânica salina. |
O principal culpado
é, aparentemente, a Corrosão por Estresse de Cloreto
(Chloride Stress Corrosion Cracking, ou SCC, na
sigla em inglês). A instalação da chapeleta padrão
de expansão e seu olhal, claro, impõe algum estresse
em ambos. Esse processo pode, no entanto, ser
exacerbado por outros mecanismos de oxidação,
inclusive a corrosão química.
Na área costeira mediterrânea das Calanques
(França), este fenômeno não foi observado
(possivelmente devido às constantes
substituições). Uma vez que a grampeação nesta área
começou há muito tempo atrás, muitos tipos
diferentes de grampos foram utilizados e, com o
tempo, deixaram a desejar. Grampos com galvanização
simples (tanto modelos em peça única fixados com
cola como modelos de duas peças, com parafuso e
olhal) foram descartados há muito tempo. Os
problemas com eles eram uma cobertura de zinco muito
fina, aços de má qualidade e o rápido avanço da
corrosão quando os aços do parafuso e do olhal eram
diferentes entre si, além da natural retenção de
umidade sob o olhal.
Enquanto grampos fabricados de acordo com o atual
Padrão UIAA 123 parecem ser adequados para montanhas
e áreas de escalada esportiva distantes do mar, eles
definitivamente não são satisfatórios no ambiente
corrosivo das áreas de escalada ao lado do mar. A
partir das experiências acima, a solução sugerida
muito provavelmente conterá os seguintes critérios
ideais:
- Grampos de uma só peça, fixados com cola, possivelmente sem estresse.
- Material não suscetível à corrosão química, como oxidação e corrosão
galvânica (por cloretos).
- Material não suscetível à SCC.
- Material insensível à temperatura.
- Cola resistente aos cloretos e ao ataque químico e insensível à
temperatura.
- Instalação deve isolar o metal da rocha circundante (pela cola).
A verdade é que a corrosão eventualmente causará, de
qualquer forma, danos ao grampo, mas a sua vida útil
será muito maior do que a maioria das peças hoje
disponíveis no mercado.
Escaladores americanos já produzem, de forma
pioneira, grampos que satisfazem à maioria destes
critérios, sendo o resultado um grampo de titânio,
agora disponível no mercado dos Estados Unidos. O
material é considerado superior ao aço inoxidável.
Nas Calanques, por causa das implicações de custo
(8.000 grampos batidos por ano), grampos de uma
única peça galvanizados a quente (hot dipped
galvanized) estão sendo usados (a galvanização a
quente aumenta bastante a cobertura de zinco, nunca
menos do que 24 mícrons). A experiência tem sido bem
favorável e o preço é bastante reduzido. Acredita-se
que a vida útil desses grampos seja apenas um pouco
menor do que a de grampos de aço inoxidável
comparáveis.
Os avanços acima proporcionaram muita informação. Na
sessão plenária da Comissão de Segurança ocorrida em
maio deste ano, em Cassis (perto das Calanques), foi
criado um grupo de trabalho para investigar mais
este assunto. Este trabalho deve culminar com um
aditivo ao atual Padrão, cobrindo grampos a serem
usados em falésias a beira-mar.
O autor, Helmut Microys, é o Delegado Nacional da
Comissão de Segurança da UIAA do Canadá e dos
Estados Unidos.
Fonte: Texto traduzido pelo Andre Ilha e divulgado
na lista sobre montanhismo e escalada HangOn
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