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05/10/2004
Fauna
- Parque
Nacional da Serra dos Órgãos
Seis dias
as margens das trilhas mais freqüentadas.
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O
impacto do lixo acumulado nas áreas de camping do
parque também pode estar mudando o habito alimentar
de certas espécies. Percebe-se que o numero de
roedores dentro destas áreas esta aumentando. Não há
dados concretos para se gerar um calculo com
precisão deste aumento populacional mais ataques
cada vez mais freqüentes a mochilas e sacolas de
lixo deixadas fora das barracas deixam claro a
suspeita.
Em
junho de 2004 quando o clube Niteroiense de
Montanhismo esteve no Parque Nacional da Serra dos
Órgãos realizando a travessia, a mochila de um dos
montanhistas foi revirada por ratos durante a noite.
O acumulo de lixo no ponto conhecido como Ájax é
um convite a esses pequenos roedores.
Poderia ser pior, já que havia suspeito dos roedores
serem ratos domésticos (Rattus norvegicus),
mas
retornando ao ponto do incidente só encontrei o
rato-do-mato (Bolomys lasiurus). Mesmo este sendo
uma espécie silvestre, se sua população crescer
descontrolada poderá ser um forte indicador para o
desequilíbrio do eco-sistema local.
Os Bolomys
lasiurus são hospedeiros naturais
do parasita causador da
leishmaniose
tegumentar americana, a forma mais disseminada
da doença na América Latina (O Bolomys
lasiurus também é conhecidamente hospedeiro do
hantavírus). Perto destas áreas
também foram observadas grandes concentrações de
corujas Murucututu (Pulsatrix perspicillata) e
Coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia), estas se
alimentam dos pequenos roedores.
Mesmo com todos os problemas do descaso encontrado
no PNSO, a luta pela sobrevivência das espécies
animais em ares de preservação enfrenta seu pior
inimigo, a perda de habitat. Novas construções
avançando em direção a reserva (Este em Petrópolis)
já podem ser observadas.
Aves como gaviões e falcões precisam cobrir
grandes áreas, mesmo que estas estejam fora dos
limites do parque (Aves de rapina comuns nas áreas
do
PNSO:
Milvago chimachima/Gavião-carrapateiro, Polyborus
plancus/Caracará, Coragyps atratus/Urubu-de-cabeça-preta,
Buteo brachyurus/Gavião-de-cauda-curta), construções
descontroladas podem acabar reduzindo este espaço.
Corujas e Gambás são animais que cada vez mais estão
sendo vistos em perímetro urbano. Não é mero
acaso que eles venham procurar por comida nos meios
urbanos, a falta de alimento em suas áreas de
sustento e a abundancia de lixo perto de seu habitar
é um fator que contribui para essa aproximação.
Estamos mudando o habito alimentar destes animais
desequilibrando assim todo um eco-sistema.
Partindo de um principio bem simples: "Gambás comem
ovos. Se o
numero de gambás
for maior que o
tempo de
reprodução das
aves, logo tenho
a extinção das
aves. Mas como
aumentou o
numero de
gambás? - Se
tenho mais lixo,
logo tenho mais
gambás. Assim é
o equilíbrio, se
uma destas
engrenagens sair
do lugar, todo o
relógio se
altera."
3º
Parte
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