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05/10/2009
Fechados os hotéis do Planalto de Itatiaia.
Marcio Araujo |
Depois da proibição de acampar no PNI, a Pousados
dos Lobos e o Alsene eram as únicas opções de
estadia na parte alta do Planalto de Itatiaia. A
alegação do IBAMA e ICMbio era que os hotéis estavam
destinando de forma errada o esgoto.
Com o fechamento dos dois hotéis, a parte alta de
Itatiaia consta agora com uma única opção, que é o
Abrigo Rebouças, que disponibiliza apenas 20
acomodações.
Com este fechamento e com as poucas opções de
estadia, fica mais dificil poder visitar o Planalto
de Itatiaia, pois ir e voltar no mesmo dia é muito
longe e demorado.
Estrada fechada.
O montanhista que conseguir lugar no alojamento do
Rebouças, apartir de outubro, não poderá ir até lá
de carro, já que a estrada até o abrigo está fechada
para não atrapalhar a reprodução do Sapo
Flamenguinho, espécie endêmica do Planalto de
Itatiaia.
"Isso é uma vergonha, enquanto nos escaladores e
caminhantes queremos o melhor do parque nacional e
não temos onde ficar, caçadores em atividades
ilegais freqüentam abertamente as montanhas do
planalto de Itatiaia."
14/9/2009 09:30:00 - Por Pedro Hauck
Itatiaia: Presença de caçadores e ineficácia das
proibições
O
Altamontanha.com
recebeu a denúncia da presença constante de
caçadores nos arredores do Parque Nacional de
Itatiaia. (Ex.) Meca do montanhismo nacional, este
parque é (infelizmente) conhecido pela política de
restrição à trilhas, acampamentos e travessias que
praticamente proíbem o montanhismo em seu interior
em razão à uma visão conservacionista da natureza.
Será que a administração do PNI tem razão? Vamos ver
os resultados de tais políticas:
Barracas de lona precária, muito lixo,
principalmente de sacolas de ração de cachorro,
"Jirau de tocaia" e armadilhas para aprisionar
animais silvestres. Foi isto o que um grupo de
montanhistas encontrou numa área de proteção nas
adjacências do Parque Nacional de Itatiaia
exatamente em meio à uma trilha que o IBAMA proíbe
seu acesso à montanhistas.
A mesma trilha, anos atrás, gerou polêmica por ter
sido divulgada em uma revista especializada em
Trekking e travessias. O autor do artigo e
responsável por tal revista, o montanhista paulista
Sérgio Beck, chegou a ser processado pela
administração do PNI por ter divulgado e incentivado
que outras pessoas conhecessem e freqüentassem tal
lugar.
Obviamente o processo contra Sérgio Beck foi
arquivado, pois legalmente a função de um Parque
Nacional é incentivar atividades ao livre, como
passeios, caminhadas, escaladas, contemplação,
filmagens, fotografias, pinturas, piqueniques,
acampamentos e similares. Essas são as palavras do
artigo 34 do decreto no 84.017, de 21 de Setembro de
1979 que aprova o regulamento dos Parques Nacionais
brasileiros.
As restrições e proibições no Parque Nacional de
Itatiaia se agravaram depois da grande queimada que
ocorreu no Planalto no ano de 2002, em que a
visitação ficou fechada durante meses até que a
vegetação se recuperasse. Depois deste incidente,
vários locais de camping, mesmo fora do Parque, como
o Brejo da Lapa, foram proibidos, obrigando todos os
montanhistas a ficar no camping do Hotel Alsene que
é caro e precário.
Obviamente que as regras mais rígidas irritaram os
freqüentadores do PNI, já que o montanhismo é
praticando na região desde o século XVIII. Clubes e
Federações do Rio, São Paulo e Minas se uniram para
tentar um diálogo e barrar as regras absurdas.
Conseguiram a não obrigatoriedade da contratação de
guias, assim como também a liberação de algumas
travessias sem pernoite. Entretanto, não conseguiram
a ampliação do horário de funcionamento do Parque,
que obriga os escaladores a se exporem no horário de
sol mais forte do dia, assim como não conseguiram a
liberação de uma área de camping dentro do PNI.
Todos sabem que os Parques sofrem com a ação de
visitantes mal educados. Realizar educação ambiental
não é algo simples e nem rápido, não se faz com a
distribuição de folhetos, nem com uma simples
palestra, também não se faz com proibições. É uma
premissa simples que inicia o texto polêmico de
Sergio Beck em 2002: Como se vai preservar algo que
você não conhece?
O caso é muito simples e o IBAMA não quer
reconhecer: É melhor ter grupos de excursionistas e
montanhistas aventureiros andando e apreciando a
paisagem do que caçadores, palmiteiros e outros
extrativistas, ainda porque os parques foram criados
para que os primeiros pudessem estar ali realizando
suas atividades e os outros não!
Entretanto o esvaziamento dos parques por seus
freqüentadores propiciam que os verdadeiros foras da
lei pudessem transitar livremente e inclusive montar
um acampamento exatamente no meio da trilha que o
IBAMA proíbe, sem nenhuma preocupação de serem
flagrados, já que ninguém mais transita por ali...
A proibição e a falta de fiscalização apenas
facilitou a vida dos caçadores, palmiteiros e outros
verdadeiros vilões da natureza. Pior do que isso,
resultou apenas em proibir o montanhismo, sem que
isso pudesse promover a preservação da natureza,
pelo contrário, afastou quem pudesse contribuir com
ela resultando em mais uma contradição da diretoria
do PNI. Triste para o montanhismo, triste para a
natureza.
Grande abraço!
Paz e bem, boas escaladas na rocha e na vida.
Marcio Araujo. |