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09/05/2007
Crescimento
do turismo ameaça Machu Picchu.
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MACHU PICCHU, Peru (Reuters) - No alto dos Andes, o ruído de sondas
pneumáticas enchem o ambiente. Novas ruas estão sendo construídas,
enquanto hotéis se ampliam no povoado-dormitório de Machu
Picchu, ponto de partida para os 450 mil turistas que anualmente visitam
as ruínas da famosa
cidadela inca da região.
Para
muitos, o caos barulhento da cidade não-planejada,
cuja população em uma década
saltou de 500 para 4.000 pessoas, representa a
forma descuidada como o turismo é administrado
na região.
O
crescimento descontrolado do turismo está prejudicando
irremediavelmente esse Patrimônio da Humanidade
e as atrações vizinhas, destruindo
um dos mais importantes
sítios arqueológicos
do mundo, segundo especialistas.
A
Unesco (órgão da ONU para a cultura)
deve divulgar em janeiro um relatório recomendando
ao Peru que reformule a administração
de Machu Picchu e da Trilha Inca, impondo normas às
visitas.
Se
isso não acontecer, a Unesco deve colocar
Machu Picchu na sua lista de locais ameaçados,
uma "sanção moral" contra
o governo peruano.
"Olhe
só para a Trilha Inca que leva a Machu Picchu.
Está sendo destruída pela erosão",
diz Jorge Pacheco, diretor da Administração
de Machu Picchu, agência que coordena os vários órgãos
responsáveis pela manutenção
das ruínas.
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Cerca
de 1,5 mil turistas percorrem diariamente os
64 quilômetros da trilha de 500 anos
e ficam maravilhados com as longas escadarias
de pedra e os terraços de granito que
se elevam a 8.500 metros sobre o nível
do mar. A trilha, feita de pedras grandes,
era usada como rota de acesso para a região
de Cusco na época dos incas. |
Estudos
da Administração de Machu Picchu dizem
que o número de visitantes na trilha deve
ser reduzido para 300 por dia, a fim de preservar
o local. Machu Picchu propriamente dito as ruínas
de toda uma cidade, inclusive seus templos já sofreu
vários golpes ao longo dos anos. Na década
de 1970, houve danos provocados pelo pouso de helicópteros.
Em 2000, a pedra de um relógio de sol foi
danificada durante a gravação de
um comercial de cerveja.
O
projeto de um teleférico ligando a aldeia
de Machu Picchu às ruínas está paralisado,
mas não foi descartado. A obra, segundo os
críticos, descaracterizaria o sítio
arqueológico.
Até duas
mil pessoas passam pela cidadela por dia, e o número
cresce seis por cento ao ano. A Unesco recomenda
que se imponha um limite de 800 visitantes diários,
que deveriam ainda usar sapatos macios para reduzir
a pressão sobre as ruínas.
Geólogos
japoneses revelaram a fragilidade do local em 2001,
quando concluíram que o terreno está se
elevando e que as ruínas podem simplesmente
deslizar pela encosta da montanha.
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Mas
o Instituto Nacional de Cultura do Peru, que supervisiona
o dia-a-dia de Machu Picchu e da Trilha Inca, diz
que o local pode receber ainda mais visitantes. "Hoje
não há ameaça a Machu Picchu.
O local pode suportar três mil turistas diários",
afirma Fernando Astete, administrador de Machu
Picchu. |
As
ruínas estão no centro do projeto
do governo de ampliar o turismo no país.
Foi lá que o presidente Alejandro Toledo
tomou posse, em julho de 2001. Recentemente, foi
lá também que ele recebeu a visita
do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
A
entrada no local custa o equivalente a 20 dólares,
o que resulta em um faturamento de seis milhões
de dólares anuais para os cofres públicos.
Os ingressos na Trilha Inca rendem mais três
milhões de dólares.
Críticos
dizem que a ênfase para o turismo em Machu
Picchu acaba desestimulando os turistas a visitar
os outros 15 mil sítios arqueológicos
incas na região. Por outro lado, muitos turistas
dizem que a multidão em Machu Picchu rouba
o prazer da visita.
Machu
Picchu era provavelmente o santuário do grande
soberano inca Pachacutec, no centro do seu império,
criado de forma explosiva em menos de cem anos, no
começo do século 15. Era um território
que ia da Colômbia à Argentina, cuja
estrutura foi destruída em apenas cinco
anos de guerra contra os colonizadores europeus.
Mas
Machu Picchu nunca caiu nas mãos dos invasores.
Escondido nos Andes, sob cerrada vegetação,
o local só foi redescoberto em 1911 pelo
explorador norte-americano Hiram Bingham.
O
prefeito do povoado de Machu Picchu, Oscar
Valencia, admite que a situação
atingiu o fundo do poço nas ruínas
e na cidade, que lança dejetos não-tratados
no rio Urubamba, por falta de estações
de tratamento de água.
"Mas
as coisas vão mudar. Após um ano
de protestos, vamos agora receber dez por cento
da renda dos ingressos de Machu Picchu", declara. "Poderemos
fazer uma cidade digna para os turistas."
O
Instituto Nacional de Cultura diz que está preparando
um plano para coordenar de maneira mais eficiente
a administração das ruínas,
mas não se sabe se tal plano levará em
conta as recomendações da Unesco.
Fotos Atila
Barros.
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