Para começar é necessário voltar alguns anos, em meus tempos de escola, uma grande recordação dos tempos de criança. Meu primeiro contato com as montanhas do Rio foi em um passeio escolar quando ainda cursava a quarta serie do ensino primário, nesta excursão visitamos a floresta da tijuca, até então uma grande novidade. Fiquei maravilhado com o lugar, o estranho é que fomos somente à cascatinha Tunay, bem no início da estrada que leva para parte alta do parque, ali viu bem mais que uma queda d’água, era o inicio de uma grande paixão. Lembro-me que desejei muito voltar a aquele lugar mágico e verde, coisa de menino, desejo esse que seria realizado muito tempo depois. Ainda neste passeio escolar, também conheci um dos mais belos cartões postais do Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar, foi lá que vi algumas pessoas escalando pela primeira vez, novamente fiquei encantado e para não dizer impressionado com tudo que vi, eu queria aquilo tudo, fazer parte de tudo. Os anos se passaram e o desejo de voltar a esses lugares sempre me acompanhou.
Terminado o ensino médio e sem condições de cursar
de imediato uma faculdade, mergulhei fundo no
esporte de montanha, fazendo grandes amigos e
descobrindo muitos lugares que ainda me deixam
maravilhados como nos tempos de menino.
Meu primeiro contato com a escalada foi nos tempos
de caminhada. Buscando as ainda quase desertas
praias de Guaratiba, estava acampando na Praia do
Meio, foi lá que encontrei Atila Barros e Rodrigo
Cojack, ambos estavam escalando as falésias da
região, conquistas de Andre Ilha. Como eles
acamparam do nosso lado, foi inevitável não se
interar de tudo e querer fazer parte daquilo, foi o
inicio de uma grande amizade.
Um fato marcante em minha vida de excursionista, foi
à primeira vez na travessia Petrópolis x Teresópolis em
meados de 2001, devido à imponência de suas
montanhas e os amigos que lá fiz, o Parque Nacional
da Serra dos Órgãos acabou se tornando um marco em
minha historia com o montanhismo.
Em
2002 ingressei no CEB (Clube
Excursionista Brasileiro), e
foi lá que conheci muitas outras montanhas e novos
escaladores. Para me tornar um bom escalador, ou
melhor, um montanhista consciente, conclui o Curso
básico de escala em rocha também no CEB, ótimo por
sinal. Permaneci no clube até meados de 2006, até
sofrer um leve acidente que me colocou no estaleiro
por um bom tempo. Este pequeno imprevisto me deixou
fortes dores em dois dedos da mão direita, nada
grave, mas incomodavam bastante, passei a escalar
menos, mas nunca parei.
Como a lesão já indo embora, resolvi colocar algumas
metas em pratica, era à hora de fazer uma montanha
fora do país, um sonho muito distante dado a
condição que estava no momento. Foi então que depois
de quase um ano sem encontrar o grande amigo Atila
Barros, que pude ver minha meta chegando perto de
ser concluída. Soube que acabara de regressar de uma
expedição bem sucedida na cordilheira dos Andes,
mostrei para ele meu interesse nestas empreitadas e
que estava pronto para encarar uma expedição fora de
nossas fronteiras. Logo assim que Atila montou outra
expedição, fui convidado para participar de seu grupo,
não pensei duas vezes para aceitar. Minha resposta
foi “BORA”. Escrevia aí um grande momento de minha
historia no montanhismo e vida, em julho de 2007
estava indo para minha primeira alta montanha nos
Andes Bolivianos. Neste mesmo ano, também fiz o
curso de escalada em gelo e alta montanha com
Juan Villarroel, dono e
guia de alta
montanha da agencia
Azimut
(Juan é um dos mais conceituados instrutores de
escalada em Rocha da America do Sul).
Depois de ter escalado montanhas importantes na
America do sul o desejo de ir mais longe não parou,
estive com Atila Barros em montanhas do Peru, Bolívia,
Chile e Argentina, hoje não penso em parar, não da
para pensar em ficar longe das grandes montanhas.
É estranho, penso em todos que tem esse vírus
chamado montanhismo (Gosto de chamar assim nossa
motivação.), sempre buscando novos desafios e novas
culturas, é algo que não tem cura, depois que
entra em você, não sai mais. Gosto de pensar que
somos
nômades por natureza,
assim com um dos textos do Atila, sempre em busca de
algo a mais, sempre em busca de nossa montanha
interior, nosso maior desafio; nosso limite.
Grande abraço!
Paz e bem, boas escaladas na rocha e na vida.
Marcio Araujo.















