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Eu, Los Gigantes - Córdoba - Argentina.

13/03/2009
Quem é Marcio Araujo?

Marcio Araujo

Meu nome é Marcio Araujo, nasci em 22 de fevereiro de 1983. Sou natural do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, Meca da escalada brazuca, terra de grandes serras e de grandes nomes da escalada. Foi nessa cidade, ou melhor, nesse estado que descobri meu amor pelo esporte de montanha.

Para começar é necessário voltar alguns anos, em meus tempos de escola, uma grande recordação dos tempos de criança. Meu primeiro contato com as montanhas do Rio foi em um passeio escolar quando ainda cursava a quarta serie do ensino primário, nesta excursão visitamos a floresta da tijuca, até então uma grande novidade. Fiquei maravilhado com o lugar, o estranho é que fomos somente à cascatinha Tunay, bem no início da estrada que leva para parte alta do parque, ali viu bem mais que uma queda d’água, era o inicio de uma grande paixão. Lembro-me que desejei muito voltar a aquele lugar mágico e verde, coisa de menino, desejo esse que seria realizado muito tempo depois. Ainda neste passeio escolar, também conheci um dos mais belos cartões postais do Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar, foi lá que vi algumas pessoas escalando pela primeira vez, novamente fiquei encantado e para não dizer impressionado com tudo que vi, eu queria aquilo tudo, fazer parte de tudo. Os anos se passaram e o desejo de voltar a esses lugares sempre me acompanhou.

Eu e David - Mistí - Arequipa - Peru

Quando completei dezessete anos, fui sozinho ao Parque Nacional da Tijuca, era tempo de rever o que deixei lá no primário. Fui até o Pico do Papagaio, e quando olhei lá de cima, descobri um paraíso natural bem ali, no coração da cidade maravilhosa. Era o inicio de inúmeras trilhas dentro da floresta que viriam nos meus fins de semana livres.

Terminado o ensino médio e sem condições de cursar de imediato uma faculdade, mergulhei fundo no esporte de montanha, fazendo grandes amigos e descobrindo muitos lugares que ainda me deixam maravilhados como nos tempos de menino.

Meu primeiro contato com a escalada foi nos tempos de caminhada. Buscando as ainda quase desertas praias de Guaratiba, estava acampando na Praia do Meio, foi lá que encontrei Atila Barros e Rodrigo Cojack, ambos estavam escalando as falésias da região, conquistas de Andre Ilha. Como eles acamparam do nosso lado, foi inevitável não se interar de tudo e querer fazer parte daquilo, foi o inicio de uma grande amizade.

Um fato marcante em minha vida de excursionista, foi à primeira vez na travessia Petrópolis x Teresópolis em meados de 2001, devido à imponência de suas montanhas e os amigos que lá fiz, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos acabou se tornando um marco em minha historia com o montanhismo.

Eu, Atila Barros (de vermelho)  e os irmãos Cris e Marco Felizardo.

Retornei ao parque inúmeras vezes com estes amigos que lá fiz para escalar vias clássicas como as que existem no Dedo de Deus e para caminhadas tranqüilas como as do Vale do Eco, Portal de Hercules, Escalavrado e muitas outras. Boas lembranças, freqüento o Parque Nacional até hoje e sempre me deparo com novidades, o lugar realmente é lindo.

Em 2002 ingressei no CEB (Clube Excursionista Brasileiro), e foi lá que conheci muitas outras montanhas e novos escaladores. Para me tornar um bom escalador, ou melhor, um montanhista consciente, conclui o Curso básico de escala em rocha também no CEB, ótimo por sinal. Permaneci no clube até meados de 2006, até sofrer um leve acidente que me colocou no estaleiro por um bom tempo. Este pequeno imprevisto me deixou fortes dores em dois dedos da mão direita, nada grave, mas incomodavam bastante, passei a escalar menos, mas nunca parei.

Como a lesão já indo embora, resolvi colocar algumas metas em pratica, era à hora de fazer uma montanha fora do país, um sonho muito distante dado a condição que estava no momento. Foi então que depois de quase um ano sem encontrar o grande amigo Atila Barros, que pude ver minha meta chegando perto de ser concluída. Soube que acabara de regressar de uma expedição bem sucedida na cordilheira dos Andes, mostrei para ele meu interesse nestas empreitadas e que estava pronto para encarar uma expedição fora de nossas fronteiras. Logo assim que Atila montou outra expedição, fui convidado para participar de seu grupo, não pensei duas vezes para aceitar. Minha resposta foi “BORA”. Escrevia aí um grande momento de minha historia no montanhismo e vida, em julho de 2007 estava indo para minha primeira alta montanha nos Andes Bolivianos. Neste mesmo ano, também fiz o curso de escalada em gelo e alta montanha com
Juan Villarroel, dono e guia de alta montanha da agencia Azimut (Juan é um dos mais conceituados instrutores de escalada em Rocha da America do Sul).

Depois de ter escalado montanhas importantes na America do sul o desejo de ir mais longe não parou, estive com Atila Barros em montanhas do Peru, Bolívia, Chile e Argentina, hoje não penso em parar, não da para pensar em ficar longe das grandes montanhas.

É estranho, penso em todos que tem esse vírus chamado montanhismo (Gosto de chamar assim nossa motivação.), sempre buscando novos desafios e novas culturas, é algo que não tem cura, depois que entra em você, não sai mais. Gosto de pensar que somos nômades por natureza, assim com um dos textos do Atila, sempre em busca de algo a mais, sempre em busca de nossa montanha interior, nosso maior desafio; nosso limite.

Eu e Leandro Reis - Huayna Potosi- Bolívia.

Enquanto as grandes montanhas não acontecem, desfruto de minha belíssima cidade escalando não com parceiros, mas amigos. Trabalhando com comercio (Não da muito para deixar os pais na mão quando a impressa é coisa de família.) e cursando a faculdade de Administração Empresarial, os dias são cheios e tumultuados, mesmo assim, penso vinte e quatros horas em qual montanha estarei no final de semana. Esse sou eu.

Grande abraço!
Paz e bem, boas escaladas na rocha e na vida.
Marcio Araujo.

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