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11/11/2008
Até onde podemos ir contando com a sorte! Acidentes
nos Andes!
Atila Barros |
A
bruxa ta solta para os montanhistas esse ano, parece
que a imprudência e a falta de sorte tiraram as
vidas de muitos escaladores que se aventuram pelas
montanhas da America do Sul e do mundo. Um passeio
pelos sites especializados pode mostrar bem estes
números.
O
montanha.bio.br nunca foi de mostrar obituários, e
tão pouco divulgar estas noticias, até porque não
somos a favor de replicar matérias que já estão
disponíveis e outros sites parceiros. Quando
entendemos que o assunto é de muita importância,
essas sim replicamos, como é o caso de matérias
casadas entre o altamontanha.com e o
montanha.bio.br.
Porem como a situação parece fugir do controle, o
alerta precisa ser dado.
Se
contarmos desde o início do ano, já foram cerca de
trinta tragédias anunciadas oficialmente em sites de
montanhismo, e é isto que estamos tentando evitar, a
postagem deste tipo de notícia assusta quem esta
fora do esporte de montanha, mas alguém tem que
fazer este trabalho, e para isso ai estão os sites
parceiros que levam o trabalho de documentar a
história do esporte a serio.
Paramos de contar em agosto de 2008, de lá para cá,
mais acidentes aconteceram em montanhas pelo mundo,
porem três noticias me chamaram a atenção. Em
pouco menos de trinta dias, três mortes em montanhas
de países vizinhos.
03/11/2008 -
Andinista polonês Grzegorz Kostyra, de 43 anos
desapareceu no
Ojos del
Salado, mais alto vulcão do mundo. Segundo as
informações, o alpinista polonês estava na montanha
acompanhado de outros dois alpinistas também
poloneses. As buscas foram iniciadas cerca de 24
horas após o desaparecimento, pois seus companheiros
de escalada não avisaram as autoridades no mesmo
dia. Foi necessária a participação de pessoal
especializado em operações de busca de pessoas
perdidas em alta montanha (GOPE). Este grupo já
realizou operações intensivas Na região, porém sem
resultados.
O Ojos del Salado é
um vulcão com 6.893 metros de altitude, considerado
o mais alto vulcão do mundo. É também a segunda mais
alta montanha da América do Sul e está localizado
numa região bastante selvagem e muito pouco
explorada da fronteira entre Argentina e Chile,
cerca de 600 km a norte do Aconcágua, ponto mais
alto dos Andes.
04/11/2008 - Um
rapaz de 23 anos de idade foi arrastado por mais de
800 metros por uma avalanche de neve na região do
Cajon del Maipo, no Chile.
Marco Antonio Vera
Moraga, que sofreu a queda no setor "El Morado", no
Cajon del Maipo. O jovem estava acompanhado de
quatro amigos, escalava o "Cerro del Morado" e
quando se encontrava numa altitude de 4 mil metros,
foi pego de surpresa por uma avalanche, que o
arrastou por cerca de 800 metros abaixo. Seus amigos
demoraram ainda cerca de um dia para chegar até o
grupamento da polícia, na base do parque, para
noticiar o acidente.
Segundo o capitão
da polícia Alexis Chamblas, a "busca é bem difícil
pelas condições da montanha". Segundo ele, "caso o
jovem tenha falecido, a experiência indica que não
se encontrará o corpo antes da chegada do verão,
quando a maior parte da neve fofa derreterá".
11/11/2008 -
Brasileiro desaparece no Sajama
O estudante Rodrigo
Soares Oleinski de 27 anos foi escalar o Sajama, a
montanha mais alta da Bolívia e desapareceu. Ele
estava sozinho.
Rodrigo Soares
Oleinski é estudante de Teologia em uma universidade
de Cochabamba na Bolívia. Ele avisou a familia que
mora em Canoas, no Rio Grande do Sul, que ia escalar
o Sajama, que é a montanha mais alta do país
vizinho, para orar e desapareceu no dia 29 de
outubro. Ele foi visto comprando um mapa e guia da
região do Parque Nacional do Sajama, que fica no
Departamento de Oruro, próximo à fronteira com o
Chile. Uma senhora que cuida de animais diz ter
visto o jovem na base da montanha.
Ainda não há
noticias sobre as buscas e a única informação
disponível é que familiares irão à Bolívia procurar
um auxilio para as buscas. O Parque Nacional do
Sajama não conta com helicóptero para resgate e por
isso a familia do desaparecido acionou o Ministério
das Relações exteriores para tentar uma ajuda nas
buscas.
O Sajama com 6492
metros de altitude não é considerada uma montanha
técnica. Ela tem duas rotas populares e ambas contam
apenas com um acampamento intermediário, de forma
que a maioria das ascenções demoram em média três
dias apenas.
Eu
não sei se esta lista vai aumentar, mas que é bem
estranho é. Até onde vai a bravura e a
responsabilidade de cada um. Será que estamos
prontos para se aventurar por altas montanhas assim
como fazemos por aqui no Brasil em nossas pequenas
porem belas montanhas? Estaremos ignorando a
logística e a aclimatação para se aventurar nestes
grandes gigantes?
Já
passei mal em montanha e já fui obrigado a pagar por
um resgate e montanhas bolivianas, isso porque
ingeri alimento inadequado e tive o desprazer de ter
uma infecção a mais de 5000MT, nada legal. Aprendi a
lição da maneira mais difícil, mais será que não
estar sozinho me ajudou a escapar desta?
Depois de algumas roubadas fora de nossas
fronteiras, fiz o curso de escalada em gelo e alta
montanha, só assim pude ver a imprudência de ter me
arriscado em montanhas com mais de 4000MT sem
conhecimento. O fator sorte também conta muito, não
só os imprudentes sofrem na montanha, temos de
contar com os imprevistos climáticos que nos batem a
porta a qualquer momento. Uma visita ao site
altamontanha.com procurando pelo tema "morte na
montanha", já da para ter uma noção do que estou
falando.
Este
ano (Julho de 2008) quando eu e Marcio Araujo
estávamos fechando nossa conta em uma agencia de
aluguel de equipamento na Bolívia para partimos para
o Peru, o clima de pânico estava no ar, alguém tinha
desaparecido na região do Sajama, e ao que parece,
teria sido Nemésios, nosso risonho cozinheiro de uma
expedição no ano anterior. Nosso agente não quis
comentar sobre o assunto.
Acho
que já esta mais que na hora de acordar para o
assunto "aonde ir e como ir". Não é subir uma
montanha, é estar bem na montanha. Por mais simples
que seja ela esta acima dos 3000 e o ar é rarefeito,
não da para brincar nessa altura. Bom planejamento e
saber a hora de ir podem salvar vidas. Para isso
antes de ir os tetos nevados de nossos países
vizinhos, procure gente capacitada para te levar até
esses gigantes, se informe o maximo possível em
sites e livros, e acima de tudo, não caia do conto
de ir sozinho contando com a sorte, deixe isso para
mais tarde
quando você tiver experiência suficiente e psicológico.
Até lá, contrate um bom guia e faça um bom curso de
escalada!
Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros