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13/03/2009
Olha a água mineral!

Marcio Araujo

Indispensável não somente nos dias quentes de verão, a água mineral vem sendo utilizada cada vez mais como companheira de todos os dias, mas vale ressaltar algumas precauções que devem ser tomadas antes de fazer deste habito tão saudável um descaso com o meio ambiente.

A água mineral hoje é associada a um estilo de vida mais saudável e natural, seria o fim dos refrigerantes e o inicio da geração saúde se não carregasse consigo um problema de escalada global. As garrafinhas de água mineral já se tornaram acessórios indispensáveis de esportistas e sedentários. Hoje é comum pessoas nem pensarem em beber a água que sai das torneiras, comprasse água "mineral" em garrafas ou galões plásticos. Nos últimos anos o consumo de água no planeta cresceu 145% e passou a ocupar lugar de destaque nas preocupações de muitos ambientalistas.

O foco não esta exatamente na água, mas nas embalagens (PET). A fabricação das garrafas plásticas usadas pela maioria das grandes marcas é um processo industrial que provoca grande quantidade de queima de gazes, agravando o efeito estufa. Ao serem descartadas, elas produzem montanhas de lixo que nem sempre é reciclado. Muitas entidades ambientalistas têm promovido campanhas de conscientização para esclarecer que nas cidades onde a água encanada é de boa qualidade nada tem de diferente da água em garrafas.

As embalagens de garrafas plásticas para bebidas (PET) são ideais para o acondicionamento de alimentos, devido às suas propriedades de barreiras que impossibilitam a troca de gases e absorção de odores externos, mantendo as características originais dos produtos embasados. Além disto, são leves, versáteis e 100% recicláveis.

PET - Desenvolvido pelos químicos ingleses Whinfield e Dickson em 1941, o PET (polietileno tereftalato) é um material termoplástico. Isto significa que ele pode ser reprocessado diversas vezes pelo mesmo ou por outro processo de transformação. Quando aquecidos a temperaturas adequadas, esses plásticos amolecem, fundem e podem ser novamente moldados.

A etapa de transformação utiliza o material revalorizado e o transforma em outro produto vendável, o produto reciclado. A etapa de revalorização realiza a descontaminação e adequação do material coletado e selecionado para que possa ser utilizado como matéria prima na indústria de transformação.

A etapa de Coleta/Seleção é que representa o grande desafio da reciclagem do PET pós-consumo. Milhões de dólares são gastos em logística, distribuição e marketing para que no final das contas, nós consumidores compremos produtos embalados em PET e levemos até nossas casas.

Nós fazemos a última etapa da distribuição levando-os dos supermercados e lojas até nossas casas. Somente nas regiões metropolitanas do Brasil são 15 milhões de domicílios, 50 milhões de pessoas e 6 bilhões de embalagens de PET todo ano. O correto equacionamento da logística reversa das embalagens pós-consumo é que vai viabilizar a reciclagem de diversos materiais inclusive o PET.

Porem, reciclar nem sempre é o mais justo com a natureza, apenas nos Estados Unidos, os processos de fabricação e reciclagem de garrafas plásticas consumiram 17 milhões de barris de petróleo em 2006. Esses processos produziram 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono e outras gazes do efeito estufa, poluição equivalente a de 455, 000 carros rodando normalmente durante um ano. Este dano é multiplicado por três quando consideram as emissões provocadas por transporte e refrigeração das garrafas.

O problema imediato causado pelas embalagens de água é o espaço que elas ocupam ao serem descartadas; como demoram pelo menos 100 anos para degradar, elas fazem com que o volume de lixo no planeta cresça exponencialmente. Quando não vão para aterros sanitários os recipientes abandonados entopem bueiros nas cidades sujam os rios e acumulam água que podem ser foco de doenças como à temida dengue, transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti.  Logo é indispensável o uso correto de nossa garrafa de água mineral.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET, aproximadamente 51% de todo esse material plástico é reciclado, deixando outras 184 milhões de toneladas produzidas por ano nos aterros e lixões, um grande problema para os centros urbanos carentes de espaço para seu crescimento e áreas não poluídas para uso de fins ecológicos.

Outra grande dor de cabeça é que muitas pessoas não sabem que as garrafas e mesmo alguns potes de plástico carregam em sua estrutura uma substância chamada bisfenol A (BPA). Estas substâncias tóxicas são translocadas ao líquido ou alimento no seu interior. Porém o que todos devem saber é que alguns cuidados podem amenizar este problema que está relacionado a aumento do risco de certas doenças, como diabetes e problemas cardiovasculares, segundo estudo da Universidade de Exeter no Reino Unido.

Quando for guardar um alimento, deixe-o esfriar antes de colocar no potinho plástico. Ao descongelar um alimento guardado no potinho plástico, retire-o desta embalagem e descongele em vidro apropriado para microondas. O bisfenol passa para o alimento em temperaturas quentes. Não deixe sua garrafinha plástica com água dentro carro. Pois o calor aumenta a passagem da substância para a água. No ingira o famoso cafezinho no copinho plástico: Isso é um grande veneno para sua saúde! Procure levar para o trabalho uma xícara de porcelana ou vidro. Mamadeira? De preferência para as de vidro! Pois o lente quente não será o mesmo na mamadeira plástica. E seu filho estará ingerindo esta substância tóxica (Publicado em: Alimentação Funcionalon Fevereiro 16, 2009).

Investigações médicas revelaram que um produto químico utilizado para fazer as garrafas duras de plástico claro, mamadeiras, tupperwares e o fundo das latas de refrigerante, o bisfenol A (BPA), já atingiu proporções epidêmicas nos EUA. Todo ano mais de seis bilhões de toneladas de BPA são usadas para fazer materiais plásticos.

O problema é que quando aquecido, este plástico contamina a água, sem contar que lavar ou colocar este plástico junto à comidas ácidas, pode favorecer a absorção de BPA pelos alimentos. Estudos mostram que o BPA imita o hormônio sexual estradiol (estrogênio).
É sabido que até em pequenas quantidades, o estrogênio pode causar profundas mudanças no corpo. Este fato levantou uma bandeira vermelha e causou preocupação na comunidade médica. Até onde é saudável beber nas garrafinhas ou guardar alimentos em recipientes plásticos?

Antes de descartar seu isotônico ou garrafinha de água mineral, pense bem no estrago que ela pode fazer! Reciclar é preciso, aproveitar o maximo do material também. Antes de comprar uma garrafinha na loja só para beber na trilha, porque não usar a que você acabou de comprar na padaria? Um filtro caseiro também não é tão caro, porque não encher seu Camelbak com água filtrada com custo zero e livre de poluentes antes de sair de casa? É pouco, mas ajuda muito o meio ambiente, pense nisso!

Paz!
Marcio Araujo!
Veja também: Poluição Branca, a maldita sacolinha de mercado!

Curiosidade!

A quantidade de lixo produzida diariamente por um ser humano é de aproximadamente 5 Kg.
* Se somarmos toda a produção mundial, os números são assustadores.
* Só o Brasil produz 240 000 toneladas de lixo por dia.
* O aumento excessivo da quantidade de lixo se deve ao aumento do poder aquisitivo e pelo perfil de consumo de uma população. Além disso, quanto mais produtos industrializados, mais lixo é produzido, como embalagens, garrafas,etc.

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