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Escalando em São Thomé das Letras
Cidade de Pedras!
Por Aloysio Carvalho



 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
A história da cidade começou quando um escravo fugiu de uma fazenda próxima, indo refugiar-se em uma gruta. Algum tempo depois apareceu um homem com vestes claras e traços refinados, que lhe escreveu uma carta para ser entregue ao seu antigo amo, garantindo-lhe que ele seria alforriado.

Melhor que ser fujão é ser livre, e lá foi o João Antão de volta à fazenda. O fazendeiro era o então Barão de Alfenas, que ficou admirado pela carta, de bela caligrafia, e resolveu conhecer o autor. Chegando à gruta encontrou apenas uma estátua de madeira de São Thomé, discípulo do Cristo, que associaram à carta e chamaram de São Thomé das Letras.

A cidade cresceu ao redor da capela erigida ao lado da gruta, situada no topo de uma grande montanha de quartizito (comercialmente conhecida como Pedra São Thomé), sendo construida com o material mais abundante no local: PEDRA! Hoje em dia desfigurada, mas no passado a maioria das casas e muros da cidade eram construídas com “tijolos” de pedra extraída das inúmeras minerações artesanais, sem uso de argamassa. Lajotas encaixadas, e até alguns telhados eram de pedra.

Na década de 60 a cidade foi descoberta e progressivamente ocupada por místicos, hippies e alternativos. Alguns movimentos esotéricos tem sede ou filial na cidade, e existiram várias colônias hippies, as “sociedades alternativas”.
 
Nos anos 90, com a popularização da cidade devido à sua áurea mística, uma quantidade cada vez maior de turistas passou a ocupar o local, trazendo dinheiro mas causando vários problemas à cidade, como a rápida desfiguração pela expansão imobiliária desordenada. O turismo é a segunda fonte de renda da cidade, atrás das pedras, e crescimento rápido não combina com tradição, então a maioria das casas de pedra deram lugar a modernas pousadas de alvenaria. A igreja de pedra continua lá exibindo a solidez da técnica antiga.
 

O lugar foi construído sobre pedra, entre pedras, com pedras. E elas estão lá, muitas já lapidadas, porém ainda restam centenas de blocos naturais, preservados. Dentro da cidade você já tem muito boulder. A começar pela própria Gruta de São Thomé, onde rolam alguns boulders altos e bonitos, de grau baixo, bem na praça principal. Chão cimentado, mas não dispense os crash-pads, pois é alto e ainda tem agarras quebradiças ou difíceis de achar no alto. Mas o show é garantido, perfeito para fotos!


Subindo para a Pirâmide, passe direto até o barranco. Ache o caminho para descer seguindo rumo ao Cruzeiro, siga a trilha à direita beirando a pedra até o ponto mais alto: Duas ótimas vias, a “Tradicional – 7A” e a “Vitória - ?”. Vias muito negativas, atléticas, vão te surpreender. Confie nas lacas, elas gemem mas agüentam!

Continuando nosso passeio, siga em diante da pirâmide, passando pelo Cruzeiro – ótimos para ver o nascer e pôr do Sol – e você vai chegar no Parque Municipal Antônio Rosa. Respire fundo, confira os crash-pads e demais equipamentos e vamos explorar.

Uma criança chegando em Disney não deve sentir muito diferente de como um escalador fanático vai se sentir. Centenas de blocos de tamanhos variados oferecem inúmeros boulders, algumas poucas vias esportivas e alguns top-ropes para satisfazer a todos os gostos.

A ética local reza evitar grampeação excessiva. Então se há um fácil acesso caminhando é melhor bater apenas um(dois) grampo(s) no topo, passar a fita com mosquetão de rosca com a corda e se divertir.
 

Outra dica: você estará escalando em um quartizito diferente. Algumas agarras parecem frágeis e realmente são, outras são pequenas mas sólidas, e muitos bicos e lacas que parecem que vão sair na mão já agüentaram vários escaladores.

Então a regra é: Examine bem a agarre, teste e use com cuidado. Como dizem lá, se agüentar fica.Outro ponto positivo é largar o carro. Para escalar é mais rápido ir à pé que pegar o carro... Então carro só para os passeios mais longos.

Com por exemplo Xangrilá. Ainda é quase virgem, mas o potencial para vias com até 50m é fantástico. Para o passeio valerá a pena reservar um dia.

 
Alguns destaques de escalada:

São Thomé das Letras ainda guarda muitas outras atrações sem escalada. Consulte na internet a respeito e encontrará várias dicas de lugares para ir, como cavernas, cachoeiras e pedras. Em quase todos rola escalar alguma coisa. Exceto na noite da cidade, quando a balada tradicionalmente se encerra com os aplausos para o nascer do Sol na pirâmide ou Cruzeiro. Certamente vai prejudicar as escaladas no dia seguinte, mas as pedras estão tão perto que rola acordar tarde e escalar depois do almoço.

Para quem procura um lugar para fazer muito boulder, algumas vias, curtir visual, tomar banho de cachoeira, passear em cavernas e esticar na noite, este é o lugar!
 
Dicas Extras:
 
Distância: STL é quase equidistante de SP, BH e Rio, respectivamente 331/331/341 km.
Hospedagem: Opções para todos os gostos e bolsos, desce alugar quartos ou casas dos nativos, passando por campings dentro e fora da cidade até pousadas de todos os níveis.
Alimentação: Variada na cidade. O turismo já é foco.
Clima: O mais comum é calor e sol de dia e frio intenso à noite, com muito vento. Rola escalar o ano todo, até com chuva, devido aos inúmeros negativões e tetos disponíveis.
Dificuldade: Tem para todos, desde trepa-pedra até V10.


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Aloysio Carvalho
==--> Mens Sana in Corpore Sano: Escale e use Linux!
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